Patrimônio Histórico
Patrimônio que atravessa gerações: a história de um prédio do IFRN em Natal
Edifício na Avenida Rio Branco funcionou como sede da instituição entre 1914 e 1967 e hoje reúne iniciativas ligadas à cultura, comunicação e educação
Publicada por Vitor Sousa em 17/08/2026 ― Atualizada em 17 de Agosto de 2026 às 16:31
Neste 17 de agosto, data em que é celebrado o Dia do Patrimônio Histórico Nacional, histórias de prédios, objetos e espaços que atravessam gerações ganham destaque. Em Natal, um edifício localizado na Avenida Rio Branco guarda parte da trajetória da educação profissional no Rio Grande do Norte e, mais de um século depois, continua em uso.

A relação da instituição com o endereço começou em 1914, quando a então Escola de Aprendizes Artífices passou a funcionar no prédio. Criada em 1909, a escola iniciou suas atividades em outro endereço enquanto o imóvel da Avenida Rio Branco estava em obras. Foi ali que a instituição permaneceu por mais de 50 anos, passando por diferentes denominações até chegar à Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (ETFRN). Em 1967, a escola foi transferida para o espaço onde hoje funciona o Campus Natal-Central.

A mudança da sede não encerrou a história do prédio. A partir de 1968, o espaço passou a ser utilizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e, posteriormente, foi ocupado por grupos artísticos ligados ao movimento República das Artes. Em 2005, o imóvel retornou à estrutura do então Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (Cefet-RN) e passou por um processo de recuperação e restauro. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1999, o prédio foi reinaugurado em 23 de setembro de 2009.
Naquele mesmo ano, o espaço passou a abrigar o Campus Cidade Alta, que funcionou no local até 2020. Durante esse período, recebeu cursos superiores e técnicos, além de atividades relacionadas à cultura, turismo, eventos e multimídia. Também passaram pelo prédio o Museu do Brinquedo Popular, a galeria de arte e o Memorial do IFRN.
Agora, o edifício entra em uma nova etapa. Depois de um novo período de obras, o espaço passa a abrigar o Centro de Tecnologia e Cultura (CTC) Luzia Vieira de França, reunindo atividades de cultura, comunicação, formação e inovação em um prédio que carrega diferentes capítulos da história da educação e da cultura em Natal.

Para o diretor-geral do CTC, Lerson Maia, a importância do prédio está ligada justamente à trajetória construída ao longo desse tempo. “Esse prédio praticamente foi o início do que hoje nós temos no Instituto Federal. Essa expansão, hoje praticamente em 25 campi, ela tem seu início embrionário com esse prédio aqui da Rio Branco”, afirma.
Museu do Brinquedo Popular
O Museu foi inaugurado em 23 de setembro de 2009 e reúne um acervo de cerca de 300 brinquedos e brincadeiras inventariados em mais de 60 municípios potiguares. O acervo registra diferentes formas de brincar e materiais relacionados às tradições culturais do estado.

Para o brincante e pesquisador da cultura popular, Ricardo Buihú, que atua no Museu do Brinquedo Popular, preservar esses elementos está relacionado à ancestralidade. “A preservação é uma questão de memória, tradição e ancestralidade, mas também da história das nossas vidas, da nossa infância. Ela nos faz relembrar o passado e ações de nossas vidas”, explica.
Buihú também destaca o caráter coletivo das brincadeiras e a forma como elas atravessam diferentes comunidades e gerações. Para ele, o Museu tem papel na preservação da história dos brinquedos e das brincadeiras populares, além de possibilitar a troca de conhecimentos entre diferentes gerações. “Eu chamo de escambo do brincar: é uma forma integrativa de conhecimento. O Museu do Brinquedo traz esse elemento, a questão intergeracional da brincadeira, que passa do pai para o filho e dos avós”, afirma.
O acervo nasceu de pesquisas realizadas pelo IFRN sobre a cultura lúdica infantil potiguar e passou a integrar as ações culturais da instituição.
Cultura, criação e inovação
Ao longo do tempo, o prédio também passou a receber atividades diferentes daquelas para as quais foi originalmente utilizado. Atualmente, o CTC reúne iniciativas relacionadas à cultura, à tecnologia, à comunicação e à formação.
Uma delas é a Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte (ITCart), incubadora da Rede IFRN voltada à economia criativa. A iniciativa desenvolve atividades relacionadas a projetos e profissionais do setor e ocupa o espaço do CTC em um momento de retomada das atividades no edifício.

Para Fellipe Câmara, professor do IFRN e coordenador da ITCart, a presença da incubadora no prédio estabelece uma relação entre a memória do espaço e os projetos desenvolvidos atualmente.
“O legado dessas pessoas, sem dúvidas, serve de inspiração para todos que estão empenhados em fazer do CTC um polo de inovação cultural no estado”, afirmou Fellipe.
Atualmente, o prédio ainda passa por obras de adequação para receber plenamente as atividades previstas para o espaço.
Rádio IFRN: novas vozes em um prédio antigo
Outro projeto que passou a ocupar o espaço do CTC é a Rádio IFRN FM 95,3, que teve suas transmissões inauguradas em 12 de junho de 2026.
Para a coordenadora da Rádio IFRN, Edivânia Duarte, a presença da emissora no prédio contribui para manter viva a memória da instituição, dando ao patrimônio uma função pública também por meio da comunicação e da educação.
“Com a Rádio IFRN podemos manter a história viva e construir novas memórias através da programação da emissora, democratizando ainda mais o acesso à comunicação, educação e cultura junto à sociedade potiguar”, explica.
Um patrimônio em movimento
Mais de cem anos depois de receber as primeiras atividades da instituição que deu origem ao IFRN, o espaço continua fazendo parte da história da educação no Rio Grande do Norte. A mudança das atividades ao longo do tempo também revela uma característica dos prédios históricos: eles podem preservar suas marcas sem deixar de ser utilizados.

Neste Dia do Patrimônio Histórico Nacional, olhar para este espaço é também olhar para as pessoas, atividades e memórias que passaram por ele.
Serviço
Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França (CTC)
Endereço: Avenida Rio Branco, nº 743, Cidade Alta, Natal/RN.
Visitação: no momento, o CTC ainda não está aberto à visitação do público externo em razão das obras de restauração e adequação do espaço. O local recebe eventos e atividades pontuais, além de visitas escolares agendadas ao Museu do Brinquedo Popular.
Museu do Brinquedo Popular: escolas interessadas em realizar visitas devem consultar a disponibilidade de datas e horários e fazer o agendamento previamente.
Galeria
- Palavras-chave:
- Cidade Alta CTC Museu do Brinquedo Popular Patrimônio Histórico Nacional