Abertura
Centro de Tecnologia e Cultura recebe I Seminário da Cátedra Paulo Freire RN
Abertura reuniu representantes das áreas de educação e Justiça para discutir o pensamento freireano
Publicada por Joao Eduardo em 09/09/2026 ― Atualizada em 9 de Setembro de 2026 às 09:52
O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) realizou, nesta terça-feira (8), a abertura do I Seminário da Cátedra Paulo Freire RN. Com o tema “O afeto e o diálogo como instrumentos de integração e aprendizados”, o primeiro dia do evento foi marcado por apresentações culturais, participação de representantes de instituições parceiras e pela conferência “O afeto e o diálogo como instrumentos de integração e aprendizados”, ministrada pela professora do IFRN Ivoneide Bezerra.
Realizado no Centro de Tecnologia e Cultura (CTC) Luzia Vieira de França, em Natal, o encontro reuniu representantes do IFRN, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e do Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (Ifesp), além de professores, técnicos administrativos, estudantes e convidados.
Abertura cultural

A programação teve início com apresentações culturais. Entre os momentos, estiveram a performance do poema “Não”, de Henrique Castriciano, apresentada por Charles Sales e Benjamin Sales, e o recital do cordel “Versos de um Andarilho”, de Antônio Mendonça Sobrinho, estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Santa Luzia, em Cajazeiras, Macaíba (RN).
Construção coletiva
Durante a abertura, a coordenadora-geral do evento e co-idealizadora da Cátedra Paulo Freire RN, professora Aparecida Fernandes, destacou que a iniciativa é resultado de um processo coletivo construído ao longo dos últimos anos. A proposta reúne discussões sobre a Educação de Jovens e Adultos, a educação profissional integrada ao ensino médio, a construção de um protocolo antirracista e a defesa da democracia. O projeto e o regimento da Cátedra passaram pelas instâncias colegiadas do IFRN e foram aprovados por unanimidade.

Embora institucionalmente vinculada ao IFRN, a Cátedra foi construída em articulação com outras instituições e grupos dedicados aos estudos sobre Paulo Freire. Para Aparecida, essa integração fortalece a disseminação do pensamento freireano e amplia o papel da educação na transformação social. “O país precisa avançar muito ainda”, afirmou. Segundo a professora, a consolidação dessas concepções pode contribuir para um país “mais democrático, letrado, desenvolvido, inclusivo e de mais justiça”.
Educação que transforma
Chefe de políticas socioeducativas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), Guiomar Veras representou a instituição durante a mesa de abertura e compartilhou experiências que aproximam o pensamento de Paulo Freire de pessoas privadas de liberdade, egressas do sistema prisional e pessoas em situação de rua. Entre as iniciativas apresentadas, destacou o projeto “Escritores e Escritoras do Cárcere”, que promove atividades de leitura, escrita e reflexão nos espaços de privação de liberdade.

Guiomar ressaltou que as ações buscam valorizar as histórias e os saberes dos participantes. “Paulo Freire está conosco no nosso projeto Escritores e Escritoras do Cárcere”, afirmou. Ela também citou projetos como o “Colhendo Palavras” e o “Coletivo Reescrevente”, além das atividades realizadas na Biblioteca da Penitenciária Estadual Dr. Rogério Coutinho Madruga.
Integração institucional
Representando a Ufersa, o professor Ebson Gomes destacou a importância da articulação entre as instituições participantes e a oportunidade de discutir o afeto e o diálogo na educação, especialmente por ocorrer no Dia Internacional da Alfabetização. Segundo ele, a integração entre projetos e universidades fortalece iniciativas baseadas nas perspectivas freireanas. O professor também defendeu uma postura de coragem diante dos desafios sociais e educacionais e ressaltou a importância de estreitar os vínculos entre as instituições. “Que a gente consiga acelerar, que a gente consiga esperançar”, afirmou.
A representante da direção-geral do Ifesp, professora Ilsa Fernandes, ressaltou o papel fundamental da educação e alfabetização ao recordar a trajetória de Paulo Freire. “Paulo Freire enfrentou uma guerra contra a inoperância, eu chamo de inoperância, de falta de uso da inteligência para alfabetizar quem não conseguiu seguir esses patamares que a maioria de nós aqui seguimos”, afirmou. Ilsa também compartilhou a lembrança de ter sido alfabetizada pela própria mãe, professora durante 47 anos, e destacou a importância de participar do evento.
Memórias de Paulo Freire
Diretor-geral do CTC Luzia Vieira de França e anfitrião do evento, o professor Lerson Fernando dos Santos Maia também participou da abertura. Em sua fala, compartilhou memórias pessoais relacionadas a Paulo Freire e ressaltou a importância de manter vivo o pensamento do educador.
A relação de Lerson com Freire inclui a experiência de ter assistido a aulas ministradas pelo educador na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A lembrança foi utilizada pelo professor para refletir sobre a atualidade do pensamento freireano e sobre a necessidade de manter espaços permanentes de reflexão e diálogo.
O diálogo como fundamento da educação
Encerrando a abertura do seminário e marcando o início das conferências, a professora do IFRN Ivoneide Bezerra conduziu a palestra “O afeto e o diálogo como instrumentos de integração e aprendizados”, com mediação da professora Aparecida Fernandes.

Na atividade, Ivoneide discutiu o diálogo e o afeto como fundamentos da educação crítica e libertadora de Paulo Freire. A professora destacou a importância da amorosidade, do direito à voz e da participação crítica dos sujeitos no processo educativo, defendendo uma educação humanizadora e voltada à transformação da realidade.
Imagens do evento
- Palavras-chave:
- Cátedra CTC Seminário IFRN Paulo Freire