Evento
Jornada de Gênero e Diversidade começa com debate sobre violência contra a mulher
Primeiro dia do evento reúne discussões sobre direitos, dados e enfrentamento à violência de gênero
Publicada por Pablo Araújo em 28/04/2026 ― Atualizada em 29 de Abril de 2026 às 13:55
A jornada Acadêmica de Gênero e Diversidade teve início nesta terça-feira (28), na Reitoria do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), com uma programação voltada à discussão de direitos humanos, gênero e enfrentamento a violência contra a mulher. A abertura reuniu representantes institucionais e convidadas, que destacaram o papel da educação no debate e na construção de ações voltadas à realidade das mulheres.
Durante a mesa de abertura, a representante da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), Rita de Cássia Rocha, chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate dentro da instituição: “Eu espero que este evento seja extremamente perturbador, mas também reflexivo”, afirmou, ao destacar a importância de transformar a escuta e ação dentro do ambiente acadêmico.
A programação seguiu com a participação da secretária estadual das Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Júlia Arruda, que conduziu a principal discussão do dia, abordando as diferentes formas de violência de gênero e os caminhos para a prevenção e enfrentamento. Segundo ela, o problema não pode ser tratado de forma isolada. “Não é um problema individual, ele é estrutural e diz respeito a toda a sociedade”, destacou.

Violência de gênero e dados
Ao longo da apresentação, foram expostos dados e contextos que mostram a dimensão da violência contra mulheres no Brasil. Júlia Arruda ressaltou que o feminicídio é o estágio mais extremo de um ciclo que começa de forma silenciosa. “O feminicídio é um crime previamente anunciado, ele nunca acontece do nada”, explicou.
A secretária também apontou que a violência assume diferentes formas, indo além da agressão física, incluindo violência psicológica, moral, patrimonial e digital. Outro ponto destacado foi o aumento das denúncias, o que, segundo ela, indica uma mudança no comportamento das vítimas diante da rede de apoio. “Muito pior do que a denúncia é a não denúncia”, afirmou.
Ainda na abertura, o reitor do IFRN, José Arnóbio de Araújo Filho, reforçou a necessidade de ampliar a participação e o debate dentro da instituição, especialmente com a presença de homens nesses espaços. “A gente precisa trazer os homens pra esse lugar, pra escutar as dores e as angústias das mulheres”, afirmou. Em sua fala, ele também destacou o papel da educação e da atuação institucional no enfrentamento à violência.
Ainda durante o primeiro dia de evento, as falas reforçam a importância de políticas públicas, de atuação institucional e da presença de espaços de escuta dentro das instituições de ensino. A jornada segue com programação até o dia 30 de abril, com painéis e atividades voltadas à discussão de estratégias de enfrentamento à violência e a promoção de direitos. Para esta quarta-feira (29), a programação é voltada às coordenadoras dos Núcleos de Gênero e Diversidade (Nugedi), com atividades internas de elaboração do plano de ação para o ano letivo de 2026.
- Palavras-chave:
- Diversidade Gênero Debate Feminicídio Direitos Humanos