Portal Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

Educação, Ciência, Cultura e Tecnologia em todo o Rio Grande do Norte

Educação Profissional e Tecnológica

IFRN: 117 anos transformando futuros

Dia Nacional da Educação Profissional e Tecnológica, celebrado nesta quarta (23), também marca os 117 anos da Rede Federal, composta por instituições que conectam educação, ciência e tecnologia

Publicada por Cleyton Nascimento em 23/09/2026 ― Atualizada em 23 de Setembro de 2026 às 13:31

Há 117 anos, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) faz parte da história do Brasil. O IFRN também. Criado junto à 18 escolas de aprendizes e artífices, instituídas em 23 de setembro de 1909, durante o governo do presidente Nilo Peçanha, o Instituto compõe atual a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Rede que acompanhou as transformações do país e ampliou sua atuação para diferentes territórios, públicos e áreas de conhecimento.

A data, que marca o início dessa trajetória, também é celebrada como o Dia Nacional da Educação Profissional e Tecnológica. Mais do que lembrar a criação das primeiras escolas, 23 de setembro representa a evolução de uma política educacional que hoje articula formação profissional, ciência, tecnologia, pesquisa, extensão e inovação.

Comemoração na Reitoria do IFRN [foto de Clara Bezerra]
Comemoração na Reitoria do IFRN [foto de Clara Bezerra]

A EPT está presente tanto na educação básica quanto na superior. Ao total, são 3,1 milhões de matrículas na educação profissional técnica de nível médio, segundo o Censo Escolar da Educação Básica, e cerca de 2 milhões de estudantes em cursos tecnológicos de graduação, conforme o Censo da Educação Superior. A oferta é realizada pelas redes federal, estaduais, distrital e municipais, pelos sistemas nacionais de aprendizagem e por instituições privadas de educação superior. A expansão e a qualidade na oferta da EPT contemplam os objetivos 12 e 13 do novo Plano Nacional de Educação (PNE).

Para o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Marcelo Bregagnoli, uma das características da modalidade é justamente sua capacidade de aproximar a formação às necessidades de cada território: “A educação profissional e tecnológica tem esta característica: olhar para os arranjos produtivos e sociais locais e para as demandas que existem no território. Com isso, ela contribui para o desenvolvimento, para a geração de emprego e renda e para a melhoria da qualidade de vida”, sentencia.

Institutos Federais

Essa trajetória ganhou um novo marco em 2008, por meio da Lei nº 11.892, que instituiu a Rede Federal e criou os institutos federais. Assim, a formação passou a ser desenvolvida de forma integral, articulando ensino, pesquisa, extensão e inovação, além de levar cursos gratuitos para estudantes de todos os estados do país. Destaca-se ainda que o carro-chefe dos institutos federais são os cursos técnicos integrados ao ensino médio.

Foto retirada da página da Setec
Foto retirada da página da Setec

Atualmente, a Rede Federal conta com 755 unidades, entre campi e polos de inovação. Em cada território, os cursos assumem características próprias, sintonizados com os arranjos sociais e econômicos de cada região.

“Quando falamos em Educação Profissional e Tecnológica, falamos de uma formação que precisa estar conectada à realidade das pessoas e dos territórios. É uma educação que articula ensino, pesquisa e extensão, prepara para o mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, possibilita que o conhecimento produzido na instituição chegue à sociedade. Ao longo desses 117 anos, a Rede Federal tem mostrado a importância da educação pública e gratuita como instrumento de formação e de transformação social”, afirma José Arnóbio de Araújo Filho, reitor do IFRN.

Comemoração na Reitoria do IFRN [foto de Clara Bezerra]
Comemoração na Reitoria do IFRN [foto de Clara Bezerra]

Inserção na comunidade

Antes de ter um projeto em mãos, Saryne Fernandes sabia que precisava construir um espaço para o Balé da Ralé, mas esbarrava em questões muito concretas: quantos tijolos seriam necessários? Quantas janelas? Quanto cimento? Bailarina e professora, ela conta que o trabalho começou na rua e depois passou a funcionar em um espaço pequeno. O desejo de construir uma sede ganhou outra perspectiva quando chegou ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

No Campus Natal-Central, a demanda foi acolhida pelo núcleo de extensão ligado à Diretoria Acadêmica de Construção Civil. O espaço desenvolve projetos de apoio à comunidade externa, preferencialmente para pessoas e grupos de baixa renda, e, ao mesmo tempo, proporciona experiências de prática profissional para estudantes da instituição.

Imagem captada de vídeo
Imagem captada de vídeo

A equipe recebe as demandas e visita os locais para compreender as necessidades antes de desenvolver as soluções técnicas. Entre os trabalhos realizados estão projetos arquitetônicos, de instalações e reformas, além daqueles voltados à regularização fundiária. Nesse processo, estudantes acompanham o atendimento à comunidade, participam das visitas e utilizam os conhecimentos e recursos disponíveis na instituição para desenvolver os produtos técnicos.

Para Saryne, o projeto produzido pelo IFRN tornou possível dar um passo que até então era difícil. Com o documento, passou a ser possível apresentar às empresas, de maneira concreta, o que precisava ser construído e quais materiais seriam necessários. A iniciativa ajudou o grupo a buscar apoio e obter doações para a obra.

Imagem captada de vídeo
Imagem captada de vídeo

A experiência também faz parte da formação de estudantes como Breno Aleksander, de Engenharia Civil. Foi no núcleo que ele teve sua primeira oportunidade de vivenciar atividades relacionadas ao ambiente profissional, desde a rotina de trabalho e o atendimento ao público até a elaboração dos projetos.

Outro atendimento ficou marcante para Maria Luiza Silva, estudante do curso Técnico em Edificações do IFRN. “Teve um dia que uma senhora veio buscar o projeto dela de regularização fundiária e falou que estava há 27 anos tentando fazer essa regularização. Fazer parte disso é muito marcante, porque a gente vê que, de fato, é onde a gente quer estar”, conta.

A experiência aproxima duas dimensões da Educação Profissional e Tecnológica: a formação de quem aprende e a realidade de quem precisa daquele conhecimento. Ao participar de situações concretas e contribuir para a construção de soluções, estudantes desenvolvem a prática profissional enquanto o conhecimento técnico e tecnológico produzido na instituição chega às comunidades.

Uma rede que se transforma com o país

Ao longo de mais de um século, a Rede Federal passou por diferentes momentos e se adaptou às necessidades de uma sociedade em transformação. Hoje, o desafio continua sendo fazer com que a educação acompanhe as mudanças do mundo do trabalho, incorpore novas tecnologias e, ao mesmo tempo, permaneça conectada às pessoas e aos territórios.

CTC - Foto de Vitor Sousa
CTC - Foto de Vitor Sousa

Dos primeiros 19 estabelecimentos criados em 1909 até as quase 800 unidades atuais, são 117 anos de uma história construída por estudantes, professores, técnicos, pesquisadores e comunidades de todas as regiões do Brasil. Uma história que continua em movimento e que, a cada nova geração formada, transforma conhecimento em possibilidades de futuro.

Ingresso

O acesso à educação profissional e tecnológica pode ocorrer por meio de diferentes formas de seleção, de acordo com a instituição, o curso e o nível de ensino. A oferta é realizada pelas redes federal, estaduais, distrital e municipais, pelos sistemas nacionais de aprendizagem e por instituições privadas de educação superior.

Acolhimento - Campus São Paulo do Potengi (2024)
Acolhimento - Campus São Paulo do Potengi (2024)

Na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que reúne institutos federais, Cefets, escolas técnicas vinculadas a universidades federais, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná e o Colégio Pedro II, o acesso ocorre conforme os critérios definidos por cada instituição e divulgados em edital. São ofertados cursos de qualificação profissional, técnicos de nível médio e de graduação, com possibilidades de ingresso por processos seletivos próprios e, no caso da educação superior, também pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), conforme as regras estabelecidas para cada instituição e curso.

Texto do Núcleo de Comunicação da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), com inserções do Setor de Jornalismo e Imprensa da Diretoria Sistêmica de Comunicação Institucional (SJI/Dici) do IFRN.

Palavras-chave:
IFRN EPT Educação Profissional e Tecnológica Rede Federal

Notícias relacionadas