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Pesquisa e inovação

Projeto do IFRN transforma artigos científicos em mapas visuais e ganha destaque em Portugal

Pesquisa desenvolvida no Campus Natal-Zona Norte usa modelos de linguagem para converter arquivos densos em resumos e infográficos; trabalho será apresentado na 17ª Conferência Ciência Aberta, em Portugal

Publicada por Neiryvan Maciel em 08/10/2026 ― Atualizada em 8 de Outubro de 2026 às 15:32

Ler dezenas de páginas de relatórios técnicos ou teses acadêmicas é uma rotina comum para pesquisadores, mas representa um obstáculo real para o cidadão comum, estudantes em início de curso e gestores públicos. Para enfrentar essa barreira, uma pesquisa desenvolvida no Campus Natal-Zona Norte do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) encontrou na inteligência artificial uma alternativa prática: converter automaticamente textos densos em resumos objetivos, mapas mentais e infográficos interativos.

A iniciativa rendeu projeção internacional à instituição. O estudante do Curso Técnico em Informática para Internet Clayton Rennan de Araújo dos Santos cruzou o Atlântico para apresentar, nesta quinta-feira (8), os resultados na 17ª Conferência Ciência Aberta, sediada no Campus de Gambelas da Universidade do Algarve, em Faro, Portugal.

Da tela cheia de texto à síntese visual

O projeto investiga o uso dos chamados Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs, na sigla em inglês) – a mesma família tecnológica por trás de assistentes modernos – para dar nova vida aos arquivos do Memoria, o repositório institucional do IFRN.

Hoje, a maior parte do acervo científico de universidades e órgãos públicos repousa em arquivos em formato PDF. Embora guardem descobertas valiosas, esses documentos exigem horas de leitura atenta para a extração de dados básicos. A proposta criada no IFRN funciona como uma ponte direta entre a ciência e o leitor:

  1. O sistema lê o PDF original;
  2. Extrai a estrutura textual e processa o material com apoio da IA;
  3. Identifica conceitos centrais, métodos e conclusões;
  4. Cria, de forma automatizada, três saídas visuais: um resumo em tópicos, um mapa mental com as conexões do estudo e um infográfico.

De acordo com o estudante, a tecnologia não substitui a publicação original. Em vez disso, acrescenta uma camada inicial de navegação.

Quem precisa entender rapidamente a conclusão de um estudo sobre saneamento, saúde ou novas tecnologias, por exemplo, pode consultar o infográfico antes de decidir se vale a pena desbravar as 50 páginas do relatório completo.

Clayton Rennan de Araújo dos Santos, estudante do IFRN

Ciência acessível no dia a dia

Para além dos laboratórios, a aplicação atinge a rotina de quem consome informação técnica. Estudantes da educação básica ganham autonomia para realizar pesquisas escolares; profissionais de mercado conseguem mapear tendências sem depender de jargões herméticos; e pessoas com dificuldades de concentração ou leitura encontram formatos adaptados às suas necessidades.

O projeto também adota uma postura crítica sobre o uso da IA. Os pesquisadores apontam limites claros no fluxo: documentos antigos digitalizados por foto dependem da qualidade do reconhecimento de texto, e os modelos de linguagem podem, eventualmente, resumir dados com imprecisões. Por essa razão, a ferramenta atua estritamente como instrumento de suporte à compreensão, mantendo o documento acadêmico como fonte oficial irrenunciável.

Fronteiras abertas e inspiração no IFRN

A presença de um aluno do ensino técnico em um dos principais fóruns europeus sobre ciência aberta marca um passo expressivo para a internacionalização da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Para Clayton, a participação reafirma o papel do IFRN como polo produtor de ciência de ponta aplicada a desafios globais.

"Mais do que o reconhecimento acadêmico em solo europeu, a trajetória serve de estímulo direto para a comunidade interna. Ao ver um colega de sala defender ideias inovadoras em conferências internacionais, outros alunos percebem que a pesquisa no ensino técnico não tem fronteiras – e que as soluções criadas no Rio Grande do Norte têm fôlego para dialogar de igual para igual com o mundo", explica a bibliotecária do Campus Natal-Zona Norte, Vanessa Cavalcanti. Além da profissional, colaboram com a pesquisa Cecília Aine da Silva Batista, Rodrigo de Souza Sotero Filho, Ana Clara Lima Dantas de Medeiros e Tiago de Oliveira Barreto.

Palavras-chave:
inovação IA ifrnzn pesquisa

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