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NESA: A Ciência que aprende com a terra
Núcleo de pesquisa investiga caminhos sustentáveis para fortalecer os solos, proteger os recursos naturais e ampliar a convivência com o semiárido
Publicada por Romana Xavier em 22/06/2026 ― Atualizada em 22 de Junho de 2026 às 13:43
Há lugares que ensinam antes mesmo de qualquer livro ser aberto. O semiárido é um deles.
Terra de chuvas breves e horizontes amplos, de resistência moldada pelo tempo e pela escassez, o semiárido brasileiro guarda desafios que atravessam gerações. Mas guarda também respostas. É nesse território de perguntas e possibilidades que atua o Núcleo de Estudos do Semiárido (NESA), grupo de pesquisa criado em 2004 no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
Há mais de duas décadas, o núcleo se dedica a compreender a relação entre ambiente, produção e sustentabilidade, desenvolvendo estudos que buscam fortalecer as atividades econômicas da região sem perder de vista a preservação dos recursos naturais. Seu foco está na construção de estratégias que permitam uma convivência mais equilibrada e inteligente com as características do semiárido.
Entre o solo e a vida
As pesquisas desenvolvidas pelo NESA partem de uma premissa simples e profunda: cuidar da terra é cuidar das pessoas.
Por isso, o grupo realiza investigações voltadas para a Gestão Ambiental e o Desenvolvimento Agrário Sustentável, produzindo conhecimento científico capaz de contribuir para a melhoria das condições ambientais e produtivas da região.
Um dos principais objetos de estudo atualmente é o aproveitamento de rejeitos da mineração — como caulim, scheelita e pegmatito — como estratégia sustentável para melhorar a fertilidade e a qualidade dos solos agrícolas. A pesquisa busca compreender como esses materiais podem atuar como remineralizadores, promovendo benefícios ao solo e reduzindo a dependência de insumos convencionais.
Outra frente de investigação analisa os impactos do lançamento de esgotos em praias, examinando os desafios da gestão costeira e seus reflexos sobre a qualidade da água e a saúde ambiental.
Embora distintos, os temas convergem para um mesmo propósito: compreender como os recursos naturais podem ser utilizados de forma mais responsável, equilibrada e sustentável.
Ciência feita no campo e no laboratório
As atividades do NESA acontecem em diferentes cenários. Parte do trabalho é realizada em campo, onde os pesquisadores observam a realidade diretamente no território. Outra etapa ocorre no Laboratório de Análises de Solo da DIAREN e na sala do grupo localizada no Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT).
O núcleo também mantém parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ampliando as possibilidades de investigação e intercâmbio científico.
As reuniões da equipe acontecem semanalmente, permitindo o acompanhamento contínuo das pesquisas e a integração entre professores e estudantes.

Um espaço de formação e descoberta
O NESA reúne pesquisadores de diferentes níveis de formação e experiência. A liderança do grupo está sob a responsabilidade da professora Fabíola Gomes de Carvalho, doutora e líder do núcleo, tendo como vice-líder o professor Aristides Felipe Santiago Junior, também doutor.
Integram ainda a equipe docente os pesquisadores Gracielle Rodrigues Dantas (Doutorado), Isabel Andrade Lopes de Sousa (Mestrado) e Júlio Cesar de Pontes (Doutorado).
O grupo conta também com a participação ativa dos estudantes de graduação Eduardo Matheus Costa da Silva (Tecnologia em Gestão Ambiental), Juliana Rocha da Silva (Engenharia Sanitária e Ambiental) e Letícia da Silva Gomes (Tecnologia em Gestão Ambiental).
Entre os estudantes do curso técnico em Controle Ambiental participam das pesquisas Daniel Gomes Cardoso, Luis Gustavo dos Santos Trindade e Rafaela Alana Torres Machado.
Essa presença estudantil é uma das marcas do núcleo. Mais do que produzir conhecimento, o grupo contribui para despertar vocações científicas e formar novos pesquisadores, aproximando os estudantes da investigação acadêmica desde os primeiros anos de formação.
Colhendo conhecimento para o futuro
Os frutos desse trabalho já aparecem na produção científica do grupo. Entre as participações recentes, destaca-se a apresentação de pesquisas durante a SECITEX 2025, espaço de divulgação e compartilhamento do conhecimento produzido pela instituição.
Mas os impactos esperados vão além das publicações.
Os estudos conduzidos pelo NESA pretendem gerar conhecimento sobre o uso de remineralizadores e condicionadores físicos do solo, subsidiando futuras pesquisas sobre manejo integrado da adubação e melhoria da qualidade dos ambientes agrícolas.
Na prática, isso pode representar a redução da dependência de insumos químicos, a oferta de alternativas de baixo custo para pequenos e médios produtores e a adoção de práticas agrícolas menos agressivas ao meio ambiente, contribuindo para a segurança alimentar e para o desenvolvimento sustentável.
Ao mesmo tempo, o núcleo fortalece a produção científica nas áreas de Agronomia e Ciências Ambientais, incentivando a participação em congressos, seminários e simpósios e ampliando a formação acadêmica dos estudantes envolvidos.
No NESA, a pesquisa nasce do encontro entre ciência e território. E talvez seja justamente essa sua maior força: escutar o que a terra tem a dizer, transformar observação em conhecimento e fazer da convivência com o semiárido não uma limitação, mas uma oportunidade de inovação, cuidado e futuro.