Esporte
Do esforço ao pódio: CNAT faz história nos JIFs 2026
Estudantes conquistam medalhas de ouro, prata e bronze
Publicada por Romana Xavier em 28/10/2026 ― Atualizada em 28 de Outubro de 2026 às 01:11
Há conquistas que começam muito antes do apito inicial, da primeira braçada ou do disparo que anuncia uma corrida. Nascem nas manhãs de treino, nas noites de cansaço, nos segundos que parecem intermináveis e na coragem de tentar mais uma vez. Foi assim que estudantes do Campus Natal-Central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) transformaram dedicação em medalhas e sonhos em realidade durante a etapa nacional dos Jogos das Instituições Federais (JIFs) 2026, realizada de 19 a 23 de outubro, em Goiânia (GO).
Entre piscinas, pistas, quadras e outros espaços de competição, o talento potiguar encontrou lugar no pódio. Mais do que resultados esportivos, os estudantes do CNAT levaram à capital goiana histórias de persistência, amizade e superação, mostrando que, por trás de cada vitória, existe uma trajetória que não cabe nas estatísticas.
A competição reuniu cerca de 1.200 estudantes-atletas de diferentes regiões do país. O IFRN participou com uma delegação de 101 competidores, distribuídos em dez modalidades esportivas. Organizado pelo Instituto Federal de Goiás (IFG) e pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), o evento reuniu representantes de Institutos Federais, Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) e do Colégio Pedro II.
Ana Carolina: quando a persistência aprende a nadar
Há três anos, Ana Carolina Menezes encontrou nas piscinas do Campus Natal-Central muito mais do que um espaço para aprender a nadar. Encontrou um caminho para descobrir a própria força. O que começou entre movimentos inseguros e desafios desconhecidos terminou, em Goiânia, com o brilho de uma medalha de ouro.
Quando ingressou no IFRN, a estudante ainda dava seus primeiros passos na natação. Sob a orientação da professora Elizabete Paiva, carinhosamente conhecida como Bete, começou a transformar dificuldades em aprendizado e aprendizado em confiança.
A evolução foi construída braçada por braçada. Com uma rotina de três a quatro treinos semanais, Ana Carolina viu os segundos diminuírem enquanto sua determinação crescia. Nos 50 metros peito, sua principal prova, reduziu sua marca de 50 para 38 segundos, resultado que traduz, em números, anos de dedicação.
Mas nenhuma conquista se constrói inteiramente sozinha. Ao longo dessa trajetória, a estudante encontrou nos colegas Flávio Bruno, João Pedro e Pedro Antunes uma rede de amizade e incentivo. Entre treinos, desafios e experiências compartilhadas, a equipe se tornou uma segunda família.
Depois de disputar a edição anterior dos JIFs Nacionais sem alcançar o pódio, Ana Carolina voltou à competição em 2026 disposta a escrever um novo capítulo. Manteve a preparação na piscina, intensificou os cuidados com o condicionamento físico e chegou a Goiânia determinada a superar seus próprios limites.
E superou. Ao conquistar o ouro e estabelecer uma nova marca pessoal, a estudante descobriu que, às vezes, a maior vitória é alcançar aquilo que antes parecia distante demais.
"Eu não acreditava que podia ganhar medalha, muito menos de ouro, nessa competição mas ia dar meu melhor. Participei ano passado do JIFS NACIONAL mas não alcancei esses resultados. Graças a Deus consegui bater meu RP e assim foi possível vencer. Minha família e treinadora sempre estiveram ao meu lado acreditando que eu era capaz de alcançar esse resultado e só assim foi possível."
A medalha, portanto, carrega muito mais do que o resultado de uma prova. Guarda a memória dos primeiros treinos, o apoio da família, a confiança da treinadora e a persistência de quem aprendeu a não desistir.
Lívia: quatro medalhas e uma rotina feita de determinação
Se o ouro de Ana Carolina contou uma história de superação, as quatro medalhas conquistadas por Lívia revelaram outra face da mesma jornada: a disciplina de quem aprendeu a dividir o tempo entre livros, aulas, piscinas e sonhos.
A estudante do Campus Natal-Central encerrou sua participação nos JIFs Nacionais 2026 com duas medalhas de prata e duas de bronze. Os bronzes vieram nas provas individuais dos 50 e 100 metros peito, enquanto as pratas foram conquistadas nos revezamentos femininos livre e medley.
Para chegar ao pódio, Lívia precisou fazer do relógio um aliado. Treinava natação cinco vezes por semana, sempre à noite, conciliando a preparação esportiva com as atividades acadêmicas no IFRN. À rotina, acrescentava sessões de musculação, fundamentais para aprimorar seu desempenho.
“A preparação foi bem intensa e exigiu muita disciplina. Eu treinava 5 vezes por semana, no período da noite, conciliando os treinos com as aulas e os estudos no IFRN. Além do treino na piscina, fazia também musculação, que ajudou bastante no desempenho”, relatou.
Ao seu lado, a professora Elizabete Paiva acompanhou cada etapa dessa preparação. A parceria entre atleta e treinadora ajudou a transformar horas de esforço silencioso em resultados que ganharam visibilidade nacional.
“Foi um trabalho de equipe com minha treinadora Bete, que me apoiou o tempo todo. Ver esse esforço virar 4 medalhas nos JIFs Nacional, 2 pratas e 2 bronzes, foi muito gratificante”, comemorou.
As conquistas de Lívia e Ana Carolina também colocam em evidência o trabalho desenvolvido pela professora Bete. Nas piscinas do CNAT, sua atuação vai além do aperfeiçoamento de técnicas e da redução de tempos: ajuda a formar estudantes capazes de reconhecer suas potencialidades, enfrentar desafios e acreditar que podem chegar mais longe.
Amanda: o ouro que esperou três anos para chegar
Nas pistas, onde cada segundo importa e cada passada aproxima ou distancia a linha de chegada, a estudante Amanda viveu um daqueles momentos em que o tempo parece recompensar a espera.
Integrante da equipe campeã do revezamento feminino 4 × 400 metros, a atleta do Campus Natal-Central conquistou uma medalha de ouro que representou mais do que uma vitória esportiva. Foi a realização de um objetivo perseguido desde 2023.
Em sua terceira participação nos Jogos, Amanda também competiu nas provas dos 100 e 400 metros e do salto em altura, demonstrando versatilidade e compromisso com o atletismo.
Para ela, a experiência de ser estudante e atleta do IFRN significa aprender a administrar desafios que ultrapassam as pistas. A disciplina exigida pelos treinamentos também encontra espaço na vida acadêmica, ajudando a construir hábitos de organização, responsabilidade e perseverança.
“Pra mim, é muito importante ser estudante do IFRN e também ser atleta. Ajuda muito nos estudos em si, porque você acaba criando a disciplina por conta dos treinos. Então, você também acaba criando a disciplina pra estudar”, relatou.
No revezamento, modalidade em que o resultado depende da sintonia entre as integrantes da equipe, o ouro chegou como símbolo de uma conquista coletiva. Depois de anos de tentativas, o esforço compartilhado finalmente encontrou seu lugar mais alto no pódio.
“Desde 2023 a gente vem tentando e com esse fechamento de um ciclo a gente conseguiu. Então, foi muito gratificante pra gente”, comemorou.
Uma delegação, muitas modalidades e conquistas
As histórias de Ana Carolina, Lívia e Amanda integram um conjunto ainda maior de resultados alcançados pelo IFRN na etapa nacional dos JIFs 2026. Em diferentes modalidades, a delegação potiguar encontrou motivos para celebrar, demonstrando que o talento esportivo também se revela na diversidade de caminhos que levam ao pódio.
Nas quadras, o basquete masculino e o futsal masculino conquistaram medalhas de prata. Já o basquete feminino e o handebol feminino garantiram o bronze, ampliando a presença do Instituto entre os destaques dos esportes coletivos.
No atletismo, além do ouro no revezamento feminino 4 × 400 metros, conquistado pela equipe integrada por Amanda, outros estudantes também escreveram seus nomes entre os medalhistas. Ana Maria e Jonatas garantiram uma medalha de ouro cada, enquanto João Neto conquistou duas pratas.
Nos tatames, o judô reuniu uma sequência de resultados expressivos. Gustavo alcançou o ouro; Nathalia Mariana conquistou duas medalhas de bronze; Maria Luiza e Hagata garantiram uma prata cada; e Lucas completou as conquistas da modalidade com um bronze.
Entre movimentos calculados e decisões estratégicas, o xadrez também assegurou seu espaço no quadro de medalhas, com o bronze conquistado por Luiza.
No tênis de mesa, modalidade em que reflexos e precisão fazem a diferença, Ana Clara garantiu o bronze, enquanto Gabriel e José Vitor conquistaram a prata. O IFRN também alcançou o vice-campeonato masculino por equipes.
Nas piscinas, o desempenho da delegação foi igualmente significativo. Além do ouro de Ana Carolina e das quatro medalhas de Lívia, André conquistou bronze, enquanto Júlia e Maria Fernanda garantiram, cada uma, uma prata e um bronze.
Da velocidade das pistas à concentração diante de um tabuleiro, da força dos tatames à sintonia das equipes, os resultados revelam diferentes expressões de um mesmo compromisso: representar o IFRN com dedicação, espírito coletivo e respeito ao esporte.
Por trás das medalhas, também está o trabalho de professores, treinadores e equipes de apoio que acompanham a preparação dos estudantes, contribuindo para que o potencial esportivo encontre condições de desenvolvimento.
Muito além das medalhas: as vitórias que o esporte deixa
Quando a última prova termina, o placar é encerrado e as medalhas encontram seu lugar nas bagagens, algo permanece vivo para além da competição: as experiências que nenhum resultado consegue medir.
Para Ana Carolina, fica a lembrança de uma conquista que parecia improvável. Para Lívia, a satisfação de ver a disciplina convertida em quatro medalhas. Para Amanda, a emoção de alcançar, ao lado das companheiras, um objetivo perseguido durante três anos.
São trajetórias diferentes, mas atravessadas pelo mesmo aprendizado: vencer exige preparação, persistência e coragem para continuar, mesmo quando os resultados ainda não aparecem.
Ao incentivar a participação dos estudantes em competições como os JIFs, o Campus Natal-Central reafirma a importância do esporte na formação integral, reconhecendo seu papel no desenvolvimento da autonomia, da cooperação, da responsabilidade e do sentimento de pertencimento à instituição.
As conquistas em Goiânia mostram que a educação também acontece fora das salas de aula. Está nas piscinas que ensinam a persistir, nas pistas que exigem coragem, nas quadras que fortalecem o trabalho coletivo e nos desafios que revelam capacidades antes desconhecidas.
Porque, no fim, o ouro, a prata e o bronze contam apenas uma parte da história. A outra permanece gravada na memória de quem aprendeu que os maiores triunfos nem sempre cabem no pódio — e que, antes de conquistar uma medalha, é preciso descobrir a força de continuar tentando.