Evento
Abril Indígena KO’ YRÉ ABÁ ANAMA SUÍ – O agora dos povos indígenas
Ação do NEABI reuniu estudantes, servidores e representantes indígenas para discutir diversidade cultural e valorização dos saberes tradicionais.
Publicada por Hiago Galvão em 19/06/2026 ― Atualizada em 22 de Junho de 2026 às 13:51
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) Campus Canguaretama promoveu, nos dias 15 de abril e 20 de maio, atividades alusivas ao Abril Indígena, reunindo estudantes, servidores e representantes de comunidades indígenas em debates sobre ancestralidade, educação, identidade e resistência dos povos originários.
A iniciativa, organizada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), buscou fortalecer o diálogo sobre diversidade cultural e ampliar a compreensão da importância dos saberes indígenas na formação acadêmica e cidadã.
Sobre o Abril Indígena
O Abril Indígena é um evento sistêmico, previsto no calendário acadêmico do IFRN e realizado em referência ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril. Tem como objetivo promover o reconhecimento da contribuição dos povos originários para a formação da sociedade brasileira, além de incentivar o debate sobre seus direitos, culturas e modos de vida.
A ação integra as atividades desenvolvidas pelo NEABI do IFRN Campus Canguaretama voltadas à promoção da educação para as relações étnico-raciais e ao fortalecimento do respeito à diversidade cultural no ambiente acadêmico.
O evento
As atividades ocorreram em dois momentos distintos. A primeira foi realizada no dia 15 de abril, no auditório do Campus, nos períodos da manhã, tarde e noite.
Durante a manhã, tivemos uma mesa-redonda com o tema “Projeto Caminhos da Resistência: a recepção de visitantes como estratégia de visibilidade ao povo Potiguara Katu”, contemplando a presença da professora Dra. Ana Neri da Paz Justino, e teve como foco compartilhar experiências e parte da produção audiovisual decorrente do projeto, realizada em parceria com estudantes indígenas e fundamentada em temas de interesse político e cultural da comunidade. O momento foi oportuno para a efetivar a Lei 11.645/08, valorizar a diversidade cultural brasileira e desconstruir estereótipos sobre a identidade indígena no ambiente escolar.

Já no período da tarde, ocorreu a exibição do documentário “Mukunã aprendiz de pajé” e diálogo com os cineastas Rodrigo Sena, Vandré Arcanjo e participação do potiguara Mukunã. No período da noite, tivemos a exibição do curta-metragem “Raízes” e diálogo com integrantes do coletivo de audiovisual CineKatu.
As obras abordam o processo de formação do pajé, liderança espiritual e portador de conhecimentos plurais sobre o patrimônio etnobotânico do território potiguara, assim como, sobre a importância da ancestralidade como práticas de resistência no contexto da Aldeia Catu dos Eleotérios. Para a comunidade acadêmica, acessar às falas, narrativas, cosmovisões e às produções artísticas contemporâneas protagonizadas por pessoas indígenas, significa superar preconceitos, promover o respeito às diferenças, ampliar conhecimentos, enriquecer a visão de mundo para além do discurso colonialista e monocultural.

Durante os encontros, os convidados compartilharam experiências relacionadas à preservação da memória ancestral, à defesa dos territórios tradicionais e aos desafios enfrentados pelos povos indígenas na atualidade. As discussões também destacaram a importância do protagonismo indígena nos espaços educacionais e na construção de políticas de valorização da diversidade étnico-cultural
No dia 20 de Maio, o NEABI, em conjunto com docentes do instituto, promoveu os jogos indígenas, ação que complementa e o evento abril indígena. Os estudantes dos primeiros anos dos cursos integrados do IFRN Campus Canguaretama participaram de vivências inspiradas em práticas tradicionais indígenas, conhecendo atividades como arremesso de lança, cabo de guerra, peteca, corrida do saci e briga de galo.
Vivenciar os jogos indígenas, contestou a ideia “universal” da origem grega para todas as atividades esportivas, porém, um aspecto relevante a se destacar, foi a participação discente livre e despreocupada das expectativas geradas comumente pelas competições individuais, coletivas ou premiações materiais, aos estudantes, naquele momento a experiência do brincar foi mais significativa.

Todas estas iniciativas são importantes pois celebram os povos originários. Para o Campus Canguaretama, que é localizado em território indígena potiguara, tais tais reflexões e ações estão totalmente inseridas em suas práticas de ensino, pesquisa e extensão. O Campus se destaca por ter em seu corpo discente, membros das diversas comunidades em seus variados cursos e ainda promove a valorização da identidade e cultura local.
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