PESQUISA
Do Sertão para o Laboratório: Projeto Transforma Casca de Angico em Bala Funcional Sustentável
Estudantes do Campus Apodi uniram o conhecimento popular do campo à tecnologia de alimentos para desenvolver um produto inovador
Publicada por Annapaullinna Lima em 01/10/2026 ― Atualizada em 1 de Outubro de 2026 às 12:41
O conhecimento tradicional das comunidades rurais do semiárido potiguar encontrou a ciência avançada dentro dos laboratórios do Campus Apodi do IFRN. Um projeto de pesquisa conduzido na instituição vem chamando a atenção ao desenvolver uma bala funcional formulada a partir do chá extraído da casca do angico (Anadenanthera spp.), uma árvore emblemática da Caatinga.
Inspirado nas tradicionais balas de gelatina do mercado (conhecidas comercialmente como balas Fini), o produto surge como uma alternativa alimentar inovadora, sustentável e saudável. A iniciativa combina propriedades nutricionais ativas a um formato lúdico e de alta aceitação comercial.

Saber Popular Virou Ciência
A ideia de utilizar o angico como matéria-prima principal não nasceu de formulários teóricos, mas da vivência prática das próprias estudantes que integram a equipe de pesquisa.
A planta angico foi escolhida pelo conhecimento popular das próprias alunas do projeto. A partir das experiências e da vivência delas no sítio, no campo, elas sabiam que esse chá era utilizado pelos avós para curar enfermidades. Decidimos, então, investigar mais a fundo essas propriedades e inseri-las de uma forma mais lúdica e comercial através das balas
Utilizada historicamente na medicina popular nordestina por suas virtudes medicinais, a casca do angico passa por processos de extração e análise no laboratório de Tecnologia de Alimentos do IFRN. Os testes físico-químicos em andamento buscam comprovar cientificamente suas propriedades funcionais, antioxidantes e anti-inflamatórias.
Rigor Científico e Etapas de Desenvolvimento
O processo de fabricação exige precisão em cada detalhe do laboratório. Sob a supervisão do orientador, os pesquisadores realizam medições rigorosas de temperatura com termômetro infravermelho e dosagens precisas dos componentes para alcançar o ponto exato da fórmula.

Atualmente, o projeto encontra-se em fase de aprimoramento tecnológico. As etapas incluem: Ajuste de Formulação em que se definirá a textura ideal, estabilidade, tamanho e padronização das balas, a comprovação em laboratório dos compostos bioativos e do potencial antioxidante e por fim a avaliação de sabor, aroma e consistência com grupos de provadores.
Identidade Regional e Futuro no Mercado
Além do impacto científico e tecnológico, a pesquisa se destaca pelo viés da sustentabilidade e valorização regional. O aproveitamento de recursos naturais nativos valoriza a flora da Caatinga e demonstra a viabilidade de criar produtos de alto valor agregado no interior do Estado.

Com os avanços dos testes de laboratório e a futura etapa de análise sensorial, a equipe espera que a bala funcional de angico possa ser apresentada ao mercado consumidor e a feiras de inovação. A iniciativa reforça o compromisso da rede de ensino técnico e superior em transformar demandas e saberes locais em soluções científicas e econômicas para a sociedade.