Gestão e Diálogo
IFRN fortalece cultura do diálogo com formação em Mediação de Conflitos para gestores e servidores
Ação busca humanizar relações institucionais e reduzir processos disciplinares através da Comunicação Não Violenta e novas ferramentas de gestão
Publicada por Joao Oliveira em 13/05/2026 ― Atualizada em 13 de Maio de 2026 às 19:23
A Comissão Central de Saúde e Qualidade de Vida do Trabalho (QVT) do IFRN, através do projeto sistêmico “Fortalecendo a Cultura do Diálogo”, promove entre os dias 11 e 15 de maio uma capacitação estratégica para a implementação da Gestão de Conflitos na instituição. Realizado na Sala de Atos da Reitoria, o curso reúne o Colégio de Dirigentes (Codir) e servidores de diversas áreas. O objetivo é consolidar a mediação e a Comunicação Não Violenta (CNV) como pilares da gestão de equipes, oferecendo alternativas pedagógicas e humanizadas para o ambiente de trabalho.

O curso está sendo ministrado pelo professor doutor Ademar Bernardes Pereira Junior, docente do IFSP e especialista em práticas restaurativas. Para ele, a mediação de conflitos transcende a simples resolução de problemas: ela representa uma evolução no serviço público. Ao adotar essas práticas, o Estado passa a perceber o ser humano além do cargo que ocupa, humanizando os processos e valorizando a escuta qualificada. Ademar ressalta que as instituições de ensino são ambientes ideais para essa prática, pois ela aperfeiçoa os processos pedagógicos e ensina valores fundamentais como democracia e argumentação. Além disso, as chamadas soft skills - habilidades de interação social e profissional - tornam-se essenciais na prevenção de violências e assédios no cotidiano institucional.
A mediação de conflitos é uma inovação na Administração Pública. É a evolução do serviço público e na forma de o Estado ver e perceber o ser humano além do corpo que ele ocupa.
Humanização e redução da cultura punitiva
O Reitor do IFRN, professor José Arnóbio, destacou que a instituição deve se distanciar de modelos puramente punitivos. Segundo ele, o processo de ensino-aprendizagem deve ser permeado pelo diálogo profundo, capaz de resolver divergências antes que elas se transformem em Processos Administrativos Disciplinares (PADs). "Muitas vezes, questões sutis podem ser resolvidas com a escuta ativa, reservando o rigor da lei para casos graves de violência e assédio", afirmou.
A diretora do Campus Umarizal, Nadja Maria de Lima Costa, complementou reforçando que a formação atende a uma necessidade urgente de soluções humanizadas. Para ela, o grande ganho é vivenciar caminhos mais democráticos e afetivos, onde o respeito à condição do outro prevalece sobre a aplicação fria da norma jurídica.

Implementação institucional e impactos esperados
A meta para 2026 é clara: a consolidação das Câmaras de Mediação de Conflitos em todo o IFRN. Segundo Cintia Gouveia Costa, presidente da Comissão de QVT e organizadora da iniciativa, a escolha por iniciar a formação pelo Colégio de Dirigentes (Codir) foi um passo estratégico. "É fundamental que a alta gestão não apenas compreenda, mas sustente esse novo fluxo, garantindo que as divergências sejam resolvidas sob a ótica do 'ganha-ganha', onde o diálogo prevalece sobre a disputa", explicou.
Enriquecendo essa visão, a Pró-reitora de Extensão, Samira Delgado, reforçou que a oficialização desses canais é o que garante a sustentabilidade de um ambiente de trabalho saudável. Para a gestora, ao institucionalizar a mediação, o IFRN reafirma seu compromisso com a excelência: "Buscamos muito mais que a harmonia interpessoal; queremos assegurar que a nossa função social seja cumprida em plenitude, oferecendo uma educação de qualidade alicerçada no respeito mútuo e no fortalecimento do desenvolvimento regional", enfatizou.

A iniciativa marca o início de uma nova era na gestão de pessoas do Instituto. Ao trocar a cultura da punição pela cultura do entendimento, o IFRN investe no seu maior patrimônio: as pessoas que constroem a educação pública de qualidade todos os dias.