Arte em movimento
Dança fortalece formação humana e expressão cultural no IFRN
No dia internacional da dança, o Instituto celebra movimentos que educam, unem e transformam vidas
Publicada por Enzo Soares em 30/04/2026 ― Atualizada em 30 de Abril de 2026 às 07:35
Talvez você pense que não sabe dançar ou que a dança é coisa de palco, de quem ensaia por horas ou domina técnicas e coreografias. Mas, na verdade, todo mundo dança em algum momento do dia: quando o pé acompanha a música sem pedir licença, quando o corpo balança na espera do ônibus, quando o abraço encontra o ritmo da saudade. A dança está em muitos gestos cotidianos, até nos que passam despercebidos. É uma linguagem ancestral que atravessa séculos e segue viva nos campi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
Formação que integra corpo e conhecimento
Celebrado em 29 de abril, o Dia Internacional da Dança nos convida a lembrar que essa arte está mais perto do que se imagina. No IFRN, ela aparece como conteúdo curricular das disciplinas de Artes e Educação Física em diversos Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs). Entre os temas abordados estão manifestações culturais, consciência corporal, aspectos históricos e sociais das danças e práticas coreográficas.
A presença desse conteúdo reforça um princípio histórico da educação profissional ofertada pelo Instituto: a formação humana integral, que reconhece o estudante em todas as suas dimensões - intelectual, social, emocional e corporal. Nesse contexto, a dança se consolida como uma linguagem pedagógica potente, capaz de articular conhecimento, sensibilidade e expressão no ambiente escolar.
No Campus Currais Novos, o professor de Educação Física, Yokky Ywky, relata que sua relação com a dança dentro do Instituto nasceu justamente em sala de aula e, desde então, tem acompanhado de perto seu potencial transformador. Segundo o docente, a prática tem desempenhado um papel relevante no crescimento pessoal e profissional dos estudantes, sobretudo ao contribuir para a superação de barreiras individuais, como a timidez e a insegurança.
Em sala, esse processo costuma começar entre a curiosidade e a resistência inicial dos estudantes. Por isso, o trabalho é conduzido de forma coletiva, valorizando a participação em grupo e respeitando os diferentes tempos de cada estudante: “a dança nos permite frequentar milhões de sentimentos, superar os medos, enfrentar desafios e, principalmente, enxergar novas oportunidades de crescimento”, destaca Yokky.
Essa percepção também é compartilhada em outros campi do Instituto. No Campus João Câmara, o professor de Artes, Abraão Lincoln, ressalta a potência pedagógica da dança no cotidiano escolar, especialmente por estimular a criatividade e fortalecer o vínculo dos estudantes com o ambiente educativo: “muitos potenciais criativos são vivenciados, o que provoca também uma sensação de pertencimento e envolvimento com os saberes promovidos pela escola”, afirma.
Para o docente, a dança amplia a formação dos jovens ao mobilizar conhecimentos culturais do corpo e da comunidade, estimular a ludicidade e desenvolver emoções e percepções corporais, além de incentivar a prática artística e a interação social: “ela é uma expressão viva dos seres humanos e, como linguagem, comunica valores emocionais, simbólicos e poéticos”, conclui.
Movimento que transforma
Entre os anos de 2023 e 2026, 86 projetos integraram a dança no IFRN, dado que evidencia a força e a abrangência dessa linguagem artística no cotidiano institucional. Mais do que um número expressivo, esse levantamento revela a presença contínua da dança em ações de ensino, extensão, cultura, qualidade de vida e formação estudantil, distribuídas entre diferentes campi e públicos.
Esse cenário aponta para a capilaridade da dança dentro de uma instituição multicampi. Ao longo de quatro anos, registrar 86 iniciativas significa que diversos setores e unidades reconheceram o potencial da dança como ferramenta educativa e social. Em muitos casos, essas ações extrapolam os muros da escola, aproximando instituição e comunidade, fortalecendo vínculos e ampliando o acesso à arte em diversas regiões do estado.
Um exemplo desse movimento é o Festival de Dança do Campus Currais Novos, que vem se consolidando como uma importante ação pedagógica e cultural da unidade. O evento reúne estudantes, servidores e comunidade externa em torno da arte do movimento, transformando em prática os conhecimentos desenvolvidos em sala de aula e possibilitando aos estudantes a vivência de processos criativos em dança.
Além disso, o festival se destaca pela abertura à participação de escolas, academias, grupos independentes e artistas da região do Seridó, o que reforça o vínculo entre o IFRN e a comunidade local e amplia o alcance das ações culturais promovidas pela instituição.
Educação em movimento
Ao reunir práticas pedagógicas, projetos institucionais e experiências vividas em diferentes campi, a dança se afirma como uma linguagem estratégica na formação ofertada pelo IFRN. Mais do que um componente curricular ou atividade complementar, ela se consolida como um espaço de encontro entre conhecimento, sensibilidade e expressão, contribuindo diretamente para a formação humana integral dos estudantes. As iniciativas reafirmam o compromisso do Instituto com uma educação pública de qualidade, que valoriza a diversidade de saberes e reconhece o corpo como parte fundamental dos processos de aprendizagem.
- Palavras-chave:
- Dança