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Quando o português atravessou a linha do Equador

Professoras descobrem a ponte para une ensino e aprendizado na mesma bagagem

Publicada por Romana Xavier em 29/05/2026 Atualizada em 29 de Maio de 2026 às 23:03

Entre mapas, cadernos e palavras pronunciadas pela primeira vez, as estudantes Hiliane de Melo e Vitória Lima, do curso de Licenciatura em Espanhol-Português do Campus Natal-Central do IFRN, descobriram que ensinar uma língua também é aprender novas formas de existir no mundo.

Durante cerca de dois meses, entre abril e maio deste ano, as duas participaram de um programa de mobilidade internacional do IFRN em parceria com a Universidad Estatal Península de Santa Elena (UPSE), no Equador, atuando como Assistentes de Português para estudantes equatorianos.

A experiência integra as ações da Diretoria Sistêmica de Internacionalização (DINT) do IFRN e também dialoga com a trajetória das alunas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), do qual fazem parte no Campus Natal-Central. No curso, o PIBID tem supervisão da professora Maria Tânia Florentino de Sena Nascimento e coordenação do professor Vanilton Pereira da Silva.

“Desde que passamos para o intercâmbio, tudo foi uma loucura, porque sabíamos que seria algo extraordinário”, relembra Hilane.

No Equador, as aulas de português aconteciam diariamente em formato intensivo. Vitória Lima ficou responsável por duas turmas do nível inicial A1, com 32 e 26 estudantes. Já Hilane de Melo ensinava uma turma de nível A2 pela manhã, com cerca de 14 alunos, além de uma turma iniciante no período da tarde, com mais de 30 estudantes frequentes.

Para muitos deles, aquele era o primeiro contato com a língua portuguesa.

As primeiras aulas foram marcadas por apresentações tímidas, dificuldades na pronúncia e curiosidade sobre o Brasil. Mas, ao longo das semanas, o português começou a ganhar ritmo entre diálogos, músicas brasileiras, atividades orais e trocas culturais.

“Foi muito bonito acompanhar a evolução deles”, conta Vitória. “No início, muitos tinham vergonha de falar, mas depois já conseguiam conversar sobre rotina, gostos pessoais e compreender estruturas básicas da língua.”

As aulas iam além da gramática. Entre verbos e exercícios, surgiam conversas sobre cultura brasileira, sotaques, músicas e modos de vida. E o entusiasmo dos estudantes equatorianos chamou atenção das brasileiras.

“Muitos alunos levavam amigos para assistir às aulas e eles acabavam ficando porque se encantavam pela língua”, lembra Hiliane.

A experiência também aproximou as estudantes da diversidade latino-americana. Fora da universidade, elas conviveram com pessoas de diferentes países, fizeram amizades com estudantes argentinos e colombianos e mergulharam em novos costumes e tradições.

“Tivemos contato com diferentes formas de viver e enxergar o mundo. Isso amplia muito nossa visão e fortalece o respeito às diferenças culturais”, afirma Vitória.

Ao ensinar português para estrangeiros, as futuras professoras precisaram adaptar metodologias, criar estratégias para alunos hispanófonos e compreender que ensinar um idioma vai muito além da tradução de palavras.

No fim da experiência, voltaram ao Brasil trazendo mais do que aprendizado acadêmico.

Trouxeram novos afetos, novas perspectivas e a certeza de que a educação continua sendo uma das formas mais bonitas de aproximar mundos diferentes.

Palavras-chave:
Equador Internacionalização PIBID IFRN CNAT Curso Letras Português/Espanhol

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