Educação Profissional e Tecnológica
Seminários discutem Acesso, Permanência e Êxito e Políticas para estudantes
Eventos destacaram consolidação de políticas públicas para a Educação Profissional e Tecnológica
Publicada por Jose Nascimento em 17/04/2026 ― Atualizada em 17 de Abril de 2026 às 15:42
O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) participou, nos dias 15 e 16 de abril, de uma ampla agenda de debates sobre políticas públicas educacionais no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF). Promovida pelo Ministério da Educação (MEC) por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e com parceria do Tribunal de Contas da União (TCU), a programação foi dividida em dois eventos integrados: o Seminário Nacional Acesso, Permanência e Êxito dos Estudantes, voltado para cerca de 500 gestores, e o Seminário Nacional Rede APE, focado no diálogo direto com servidores e estudantes.
O objetivo central dos encontros foi debater a formulação, a implementação e o monitoramento de políticas voltadas à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), alinhadas ao Programa Rede APE (instituído em 2026). A programação destacou a necessidade de avançar para além do ingresso na instituição, garantindo que as políticas de assistência estudantil – como alimentação, transporte e auxílios financeiros – se consolidem como ferramentas reais de aprendizagem e de redução da evasão.

Segundo dados do MEC, iniciativas recentes de reforço no financiamento da alimentação escolar e incentivo à permanência já refletem na diminuição dos índices de abandono no ensino médio.
Presença institucional e construção de planos
O IFRN esteve presente com uma delegação de sete representantes, o que permitiu à instituição acompanhar simultaneamente diferentes frentes de trabalho. A pró-reitora de Ensino do IFRN, Anna Catharina Dantas, avaliou que o encontro fortaleceu a articulação entre as diferentes redes de ensino.
“Foi um momento importante de integração, com compartilhamento de experiências e construção coletiva de caminhos para acesso, permanência e êxito dos estudantes. As oficinas foram fundamentais para subsidiar a construção do nosso plano institucional. Tivemos, inclusive, representantes do IFRN convidadas a relatar experiências, o que demonstra o reconhecimento do trabalho desenvolvido na instituição”, destacou a gestora.

Ao final do evento, experiências do IFRN foram selecionadas para compor uma vitrine nacional de boas práticas, que deverão ser compartilhadas com outras instituições. “Saímos com maior clareza sobre os próximos passos, especialmente na elaboração do nosso plano institucional e no alinhamento com as diretrizes nacionais”, concluiu a pró-reitora.
Oficinas temáticas e o Programa Rede APE
O Seminário Nacional Rede APE reuniu mais de 300 pessoas para pensar a construção de ferramentas operacionais diárias. As reflexões focaram no Plano Nacional de Acesso, Permanência e Êxito (PNAPE), com oficinas divididas em seis eixos:
- Monitoramento: “Quando o dado tem nome”
- Experiência Estudantil: “A jornada invisível”
- Equidade: “Equidade na prática: até onde a política chega”
- Governança Intersetorial: “Quando a instituição trabalha junto”
- Cultura Institucional: “Cultura institucional: permanência começa no ambiente”
- Acesso: “Ingresso com equidade: quando o acesso começa antes da matrícula”
Protagonismo estudantil e entrega de reivindicações
Um dos grandes diferenciais da programação foi a participação ativa dos estudantes, que representaram 17 estados brasileiros na composição da Rede APE. A dinâmica para os discentes começou no primeiro dia com um roteiro cultural e de imersão por Brasília. No segundo dia, o grupo se reuniu exclusivamente para mapear e discutir os desafios vivenciados em seus campi.

Dessas discussões nasceu uma Carta Aberta, lida publicamente para os gestores durante a programação principal. O documento, que traz reivindicações claras para a melhoria das condições de ensino e permanência, foi entregue em mãos ao titular da Setec/MEC, Marcelo Bregagnoli, como uma proposta formal de encaminhamento de ações prioritárias. A íntegra do documento será disponibilizada em anexo.
Mesmo após o encerramento das atividades com os gestores, os estudantes permaneceram no centro de convenções por mais uma hora em um debate direto com os articuladores da Rede APE, como Carla Jardim, coordenadora geral do Programa. O momento serviu para detalhar o conteúdo da carta e definir os próximos passos para a resolução dos problemas levantados.
A estudante Sofia Bezerra, representante do IFRN, ressaltou o impacto da vivência. “A leitura da carta foi muito marcante e inclusiva, permitindo discutir problemas reais dos nossos campi diretamente com gestores e representantes do MEC. Também foi uma oportunidade de ampliar o olhar, conhecer Brasília e entender melhor o contexto das políticas públicas educacionais”, relatou.
Desafios no cotidiano das instituições
Durante as mesas de debate, especialistas apontaram que a evasão escolar vai além de questões socioeconômicas, estando fortemente ligada ao baixo rendimento, às dificuldades de adaptação e a práticas pedagógicas distantes da realidade dos jovens. O fortalecimento de projetos pedagógicos atrativos, o uso de metodologias ativas e a formação docente contínua foram defendidos como eixos estratégicos.
O evento contou ainda com a socialização de práticas de diferentes redes:
- Conif: destacou os desafios da interiorização e a necessidade de incorporar dimensões pedagógicas e culturais à assistência estudantil.
- Senai: apresentou estratégias de alinhamento entre formação e demandas de inovação do setor produtivo.
- Redes estaduais: compartilharam modelos de itinerários formativos com certificações intermediárias.
- Senac: detalhou o uso de sistemas de monitoramento contínuo para prevenção de evasão.
O Tribunal de Contas da União (TCU) finalizou reforçando seu papel de acompanhamento, focando na avaliação de resultados e na garantia de que os planos institucionais saiam do papel com efetividade.
Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação e da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec).
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