Evento
Uma Mulher Inventada: primeira exibição do curta-metragem aconteceu no Campus Parnamirim
Com produção do Núcleo de Arte do Campus e da Companhia Trampolim de Teatro.
Publicada por Mariana Maia em 15/06/2026 ― Atualizada em 16 de Junho de 2026 às 15:01
No Auditório do Campus Parnamirim, na última quinta-feira (11), aconteceu a primeira exibição do Curta Metragem "Uma Mulher Inventada", produção do Instituto Federal do Rio Grande do Norte e da Companhia Trampolim de Teatro, que retrata brevemente a mulher transformada em mito, um monstro urbano utilizado no vocabulário de mães do século XX na capital potiguar e suas redondezas: Amélia Duarte Machado.
A professora Aparecida Fernandes conduziu a fala de abertura agradecendo a presença de alguns convidados e passou a palavra para o diretor em exercício do Campus: Prof. Alison Pereira que, por sua vez, saudou toda a comunidade acadêmica presente e reconheceu a importância de realizações como esta para o Campus Parnamirim.
Também presente, a Pró-Reitora de Extensão, Samira Delgado agradeceu os convites e a possibilidade de prestigiar a produção artística – agente de transformação da memória coletiva e da produção de conhecimento.
"Porque sem memória não somos nada, não somos ninguém.”
Agradeceu também a presença da Profa. Ana Elisa, assessora de cultura da Pró Reitoria de Extensão e responsável por acompanhar os Núcleos de Arte dos Campi, relatando a necessidade de escutar as histórias que correm ao redor de diversas narrativas, inclusive a da Viúva Machado.
Passou-se à exibição do trailer – um convite a conhecer as primeiras imagens dessa obra que atravessou o tempo e continua inspirando novos olhares e representações. A protagonista da obra, retratada por Eduarda Carozza na juventude e por Rebeka Carozza na maturidade, aparece como figura contrastada entre uma mulher vestida de noiva e uma senhora com véu negro e roupas de luto, enquanto a narração é feita por Rebeka Carozza que fala em primeira pessoa sobre seu personagem.
Roda de Conversa

A autora do livro “Viúva Machado: A grandeza de uma mulher”, Elza Cirne, a autora de “A Cruz da cabocla: contos de aparições, terror, mistério” – Kalina Paiva e a Profa. Rebeka Carozza como mediadora são convidadas a compor uma roda de conversa sobre a produção. Ambas trazem apontamentos sobre a lenda de Amélia: Elza aborda o aspecto histórico – sua vida no interior do estado, o casamento com o comerciante Manoel Duarte Machado, as perdas em suas 14 gravidezes e a consequente sucessão quando seu marido faleceu – enquanto Kalina trata do processo de monstrificação de Amélia como um instrumento de terror para incutir a moral daquela época: essa “mulher inventada” era um reflexo dos preconceitos da sociedade.
Após a discussão, é exibido o Curta pela primeira vez a público e vemos a interpretação singular dessa história: uma mulher como protagonista forte, inteligente e extremamente gentil apesar das críticas e deturpações do seu caráter. Amélia passa pelas tragédias em sua vida cada vez mais reclusa para poupar sua imagem dos comentários populares e encerra sua trajetória assim: em sua casa na Cidade Alta no ano de 1981, com 100 anos de idade.
Ela tornou-se uma mulher inventada, cujo curta tenta desinventar e salvar seu real retrato para que, como apontado em sua dedicatória, seja um instrumento de justiça “a todas as mulheres que tiveram sua história escrita com mãos que não eram as delas.”.
Equipe do Curta
Rebeka Carozza encerra a programação evidenciando esse cuidado com a pesquisa histórica, desempenhada por Gabriel Willian, João Sotero, Paulianni Araujo e Yara Galdino, e a produção de uma obra tão sensível, realizada por Henrique Trajano, João Vitor Machado, Leonardo Souza e Paulianni Araujo. Ela convida a equipe para receber os aplausos pela sua participação na construção do curta, e o restante da platéia para a fotografia oficial.