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Entre portos e planilhas, o mundo como sala de aula

Curso de Tecnologia em Comércio Exterior transforma fronteiras em pontes e dados em estratégia

Publicada por Romana Xavier em 26/02/2026 Atualizada em 26 de Fevereiro de 2026 às 11:54

Em setembro de 2003, quando as primeiras turmas iniciaram suas atividades, o mundo já era globalizado — mas ainda não corria na velocidade dos cliques. De lá para cá, cadeias produtivas se redesenharam, fluxos de capital atravessaram continentes em segundos e novas potências comerciais emergiram no mapa. No Campus Natal-Central do IFRN, o Curso Superior de Tecnologia em Comércio Exterior acompanhou — e estudou — cada movimento.

Há 23 anos com entradas anuais, o curso consolidou-se como o único, em nível superior, com oferta pública e gratuita no Rio Grande do Norte e na Região Nordeste. São 40 vagas ofertadas anualmente, com ingresso pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU), sempre no primeiro semestre letivo.

Mas se os números são expressivos, é no cotidiano da formação que o curso revela sua identidade. O foco é claro: formar profissionais versáteis para atuar tanto no setor público quanto no setor privado, preparados para compreender e intervir na dinâmica do comércio internacional. A base dessa formação está na interdisciplinaridade — Comércio Internacional, Direito, Economia, Gestão e Idiomas dialogam entre si para formar um egresso capaz de processar informações com senso crítico e de impulsionar o desenvolvimento econômico, integrando formação técnica à cidadania.

“O curso cresceu e evoluiu, consolida-se diariamente”, destaca a coordenadora, professora Elisângela Cabral de Meireles. Segundo ela, a vitalidade da graduação está na atenção constante de docentes e discentes às transformações do cenário mundial — tendências, acontecimentos, volumes de transações comerciais, de serviços e de capital que circulam globalmente. Em uma área de vanguarda, sempre estratégica para o desenvolvimento das nações, o mundo torna-se um amplo laboratório. Ensino, pesquisa e extensão funcionam como instrumentos para interpretar e atuar nessa realidade em movimento.

Em 2026.1, o curso inicia uma nova etapa com a atualização da matriz curricular, agora estruturada em quatro semestres letivos. A proposta é fortalecer a sinergia entre o aprendizado e o tempo de resposta para inserção no mercado de trabalho, sem perder a densidade formativa que caracteriza a graduação.

A trajetória do curso também se constrói em diálogo com instituições e políticas públicas. Desde os primeiros anos, houve participação ativa em ações interinstitucionais na área de Comércio Exterior. Em 2007, o curso integrou a Central Fácil de Comércio Exterior e, no mesmo ano, foi vencedor em uma das categorias do Fia Awards. Também participou do Projeto Primeira Exportação, desenvolvido pelo então Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, enquanto o programa esteve vigente.

No presente, a articulação permanece. Desde 2023, o curso mantém parceria com a Receita Federal por meio do Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal – NAF COMEX/CNAT, ampliando a interface entre formação acadêmica e prática profissional. Além disso, por meio das atividades de ensino e pesquisa — especialmente nos Projetos Integradores — estudantes mantêm contato frequente com empresas produtoras, exportadoras e importadoras, em consonância com a pauta do comércio exterior desenvolvida no Rio Grande do Norte e no Brasil.

A prática profissional, aliás, é uma marca crescente. A participação dos estudantes em estágios e outras atividades práticas tem se ampliado, fortalecendo a transição entre a formação acadêmica e o exercício da profissão.

Os caminhos trilhados pelos egressos confirmam essa amplitude. Há profissionais atuando nos setores público e privado, no Rio Grande do Norte e em outros estados do país. Há também aqueles que expandiram ainda mais as fronteiras, desenvolvendo atividades acadêmicas e profissionais no exterior.

Semestralmente, o curso entrega à sociedade civil novos tecnólogos aptos a atuar no mercado e a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico. Mais do que formar profissionais para atuar em operações internacionais, o Curso de Tecnologia em Comércio Exterior do CNAT forma intérpretes do mundo contemporâneo — profissionais capazes de ler cenários, compreender fluxos e transformar dados globais em decisões que impactam realidades locais.

Entre portos, tratados e planilhas, o que se constrói há mais de duas décadas no CNAT é, sobretudo, uma formação que entende que cada fronteira é também uma possibilidade.

Palavras-chave:
Mundo Formação IFRN CNAT DIATINF

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