LEITURA LIBERTADORA E FORMAÇÃO CRÍTICA DO LEITOR A PARTIR DE TEXTOS OPRESSORES PRESENTES EM OBRAS LITERÁRIAS
Em execuçãoEsta tese propõe uma leitura literária libertadora em obras consideradas literárias atravessadas por discursos opressores, problematizando suas implicações pedagógicas, políticas e formativas. Parte-se da compreensão de que fragmentos textuais presentes em obras literárias podem reproduzir ou naturalizar discursos preconceituosos ou discriminatórios relacionados à cor, ao gênero, à identidade, aos traços físicos ou à posição social, política e econômica constituindo o que nesta pesquisa se denomina textos literários opressores. Pautada na epistemologia freireana (1967, 1989, 2018), na compreensão da leitura do mundo como condição para a leitura da palavra, da conscientização crítica e da educação libertadora, a tese articula essa perspectiva à concepção de literatura como direito humano e prática humanizadora em Candido (2012) e aos pressupostos da estética da recepção em Iser (1996) e Jauss (1979). A partir dessa articulação a tese propõe o conceito de leitura literária libertadora compreendida como uma prática dialógica de leitura que integra fruição estética, reflexão histórica e problematização das representações opressoras. A presente pesquisa orienta-se pela seguinte questão problematizadora: como a leitura libertadora pode contribuir para a formação de leitores críticos e emancipados, a partir da problematização de textos opressores presentes na obra literária de Monteiro Lobato? Em consonância com essa problemática, objetivo geral consiste em analisar como a leitura libertadora pode contribuir para a formação de leitores críticos e emancipados a partir da problematização de textos opressores presentes na obra literária de Monteiro Lobato. Como objetivos específicos, busca-se compreender de que modo a leitura libertadora contribui para a formação de um leitor literário crítico; identificar a presença de textos, falas e fragmentos opressores na obra Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato; propor uma leitura literária libertadora para a formação de um leitor crítico e emancipado. A pesquisa coloca em debates obras literárias canônicas que apresentam marcas de opressão, com destaque para a obra de Monteiro Lobato, analisando-a criticamente. Defende-se, como tese, o argumento de que, mesmo que essas obras, reconhecidas como literárias, apresentem frases, fragmentos, textos e imagens de natureza opressora, elas podem contribuir para a formação de um leitor crítico e emancipado, capaz de identificá-las, problematizá-las e questioná-las. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa que articula pesquisa bibliográfica, documental e pesquisa-ação. Os Círculos de Cultura constituem-se como dispositivo dialógico de produção de conhecimento, orientando a feitura dos Cadernos Reflexivos e de Ação, que serão elaborados pelos participantes da pesquisa. A etapa empírica da pesquisa será desenvolvida por meio de três encontros presenciais com estudantes e professores do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID Pedagogia/UERN, campus central, Mossoró/RN, subprojeto Alfabetização. O subprojeto é composto por 24 estudantes do curso de Pedagogia, distribuídos entre o 2º e o 8º período, três professoras da educação básica, atuantes nos anos iniciais do ensino fundamental e vinculadas como supervisoras nas escolas parceiras, além de uma docente do curso de Pedagogia responsável pela coordenação de área, totalizando 28 participantes. A análise baseia-se na epistemologia dialógica freireana articulada à Análise Proposicional do Discurso (Pires, 2008). Espera-se que o estudo evidencie como a mediação pedagógica fundamentada em princípios freireanos pode potencializar a leitura crítica de textos opressores, promovendo posicionamentos éticos e políticos por parte dos leitores. Acredita-se que a leitura libertadora, enquanto prática formativa e emancipatória, constitui-se como possibilidade concreta de enfrentamento das opressões presentes na literatura e na realidade social, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, históricos e comprometidos com a transformação do mundo.
Projeto importado do Suap em 08/05/2026 às 04:46 (há 19 horas, 41 minutos)