ESTUDO DA ADIÇÃO DE RESÍDUOS MINERAIS DO LITORAL POTIGUAR EM PRODUTOS DO SETOR DE CERÂMICA BRANCA
Em execuçãoA mineração é uma atividade essencial para o desenvolvimento da sociedade, fornecendo insumos minerais para o dia a dia das pessoas e indústrias. Contudo, a extração de minerais do subsolo terrestre resulta na geração de impactos socioambientais que, na maioria das situações, são permanentes, restando poucas alternativas para mitigá-los. Ao tratar da mitigação de impactos causados por esse setor, uma das possibilidades consolidadas pela literatura acadêmica é reaproveitar os resíduos e rejeitos da atividade. O rejeito de ferro, por exemplo, é utilizado na fabricação de tijolos, sendo uma opção viável para o setor da cerâmica tradicional e trazendo uma resolução da problemática estabelecida pelo passivo mineral. A diatomita é uma matéria-prima mineral, de origem sedimentar, formada a partir de algas marinhas fossilizadas. Industrialmente, a diatomita é utilizada na produção de filtros para a indústria cervejeira, confecção de papéis e na indústria de tintas. O processo de extração e beneficiamento desse mineral, assim como em outras matérias-primas minerais, é responsável por gerar passivos que não possuem, até o momento, aplicação industrial. O processo de beneficiamento da diatomita extraída da jazida passa por uma calcinação. Em seguida o material é concentrado através de uma sequência de separadores e classificadores. O resultado deste processo é a obtenção da diatomita com coloração e granulometria adequada à finalidade da qual se pretende aplicá-la e um resíduo arenoso que possui destino incerto. Existe no Estado do Rio Grande do Norte jazidas de diatomita que se encontram em plena produção. Ao analisar que o resíduo final do processo de beneficiamento desse mineral é uma problemática que ainda não foi encontrada solução viável e que o processo de descarte é danoso ao meio ambiente, idealizou-se esse projeto. Dessa maneira, este projeto de pesquisa possui como objetivo estudar a adição de resíduos de diatomita em massas cerâmicas para o setor da cerâmica branca. A possibilidade de adicionar esse passivo mineral em materiais cerâmicos se deu em virtude da literatura acadêmica apontar que as peças cerâmicas possuem propriedades que permitem incorporar esses passivos sem causar prejuízos nas principais propriedades tecnológicas das peças. Para tanto, o procedimento experimental do trabalho se dará, inicialmente, com a coleta do resíduo na indústria e caracterizá-lo por meio das técnicas de difração de raios X (DRX), fluorescência de raios X (FRX), análise granulométrica (AG) e microscopia eletrônica de varredura (MEV). Por conseguinte, serão produzidos corpos de prova com adição de 0%, 1%, 5%, 10% e 15% do resíduo de diatomita em uma massa cerâmica de queima branca. Essas amostras serão produzidas em uma prensa uniaxial utilizando o método de compactação com 21 MPa. Em seguida os corpos de prova serão secos em uma estufa com temperatura de 100ºC por 24 horas e, posteriormente, sinterizados em um forno do tipo mufla, sem atmosfera protetora nas temperaturas de 900ºC, 1000ºC e 1100ºC, com taxa de aquecimento de 10ºC/min e isoterma de 60 minutos. Para cada percentual de diatomita utilizado no trabalho serão confeccionados 30 corpos de prova, totalizando 150 peças. A aferição das propriedades tecnológicas das peças cerâmicas será realizada por meio dos ensaios de absorção de água (AA%), porosidade aparente (PA%), retração linear (RL%), massa específica aparente (MEA) e módulo de resistência à flexão (MRF). Ao término desse projeto é esperado a produção de peças de cerâmica branca com adição de diatomita com propriedades que atendam ao mercado consumidor e que sejam ambientalmente sustentáveis.
Projeto importado do Suap em 11/05/2026 às 04:46 (há 12 horas, 56 minutos)