Governo por desterro: estado de sítio, mobilidade punitiva e fronteira amazônica na Primeira República (1904–1927)
Em execuçãoO projeto investiga o desterro interno e o transporte punitivo na Primeira República brasileira, entre 1904 e 1927, como práticas estatais de governo inscritas em relações entre exceção constitucional, administração do dissenso, circulação coercitiva e uso político da fronteira amazônica. Seu problema central consiste em compreender a lógica relacional pela qual dispositivos jurídicos, decisões administrativas, agentes estatais, infraestruturas de transporte e destinos territoriais se articularam na gestão de conflitos sociais e políticos. Sob essa perspectiva, o desterro deixa de aparecer apenas como deslocamento compulsório e passa a ser analisado como tecnologia de poder voltada à classificação de populações, à distribuição desigual da coerção e à territorialização de mecanismos repressivos. O recorte dialoga com questões caras à Antropologia e à Ciência Política, sobretudo aquelas ligadas às mediações concretas entre norma, administração, território, violência e produção estatal da indesejabilidade.
A pesquisa adota abordagem documental de orientação socioantropológica e político-institucional, combinando triangulação de fontes, prosopografia, análise relacional e cartografia histórica. A unidade mínima de observação será o evento de desterro, entendido como ocorrência datável de remoção coercitiva cuja análise depende da articulação entre origem, destino, condição de custódia, base normativa, agentes envolvidos e circuitos institucionais acionados em cada caso. O conjunto documental será organizado em três dossiês, 1904, 1910 e 1924–1927, a partir de materiais reunidos em arquivos nacionais, estaduais, militares e hemerográficos. Como resultado, o projeto pretende produzir uma interpretação do desterro interno como forma de administração de populações, manejo político do conflito e governo territorializado da coerção, além de constituir banco prosopográfico, cronologia normativa e política, base cartográfica inicial e protocolo metodológico para o estudo das relações entre Estado, circulação punitiva e fronteira no Brasil republicano.
Projeto importado do Suap em 14/05/2026 às 15:01 (há 11 horas, 37 minutos)