EFEITOS DA ADIÇÃO DE RESÍDUOS DE GESSO DA CONSTRUÇÃO CIVIL (RGC) NA CERÂMICA ESTRUTURAL (VERMELHA E BRANCA): PROPRIEDADES TECNOLÓGICAS E FÍSICO-QUÍMICAS
ConcluídoA resolução nº 307 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), classificou o resíduo de gesso como pertencente a categoria C, em virtude de não existirem tecnologias viáveis para sua reutilização. Por esse motivo, há pesquisas que buscam técnicas para reutilizá-lo na indústria ou outro destino final que não seja danoso ao meio ambiente. Os produtos cerâmicos são conhecidos por possuírem propriedades que permitem absorver quantidades de resíduos sólidos sem prejudicar suas propriedades físicas. Portanto, ao observar que ainda não existem soluções, tecnológica e industrialmente viáveis, para reutilização do resíduo de gesso da construção civil (RGC), constrói-se esse projeto de pesquisa. O objetivo deste projeto é analisar os efeitos da adição do resíduo de gesso da construção civil (RCG) nas propriedades tecnológicas e físico-químicas de peças da cerâmica estrutural (vermelha e branca). Os materiais de partidas utilizados no trabalho serão duas argilas e o resíduo de gesso da construção civil. As argilas são provenientes do município de São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal. A argila de queima vermelha será coletada no polo de cerâmica vermelha do distrito de Uruaçu. Por outro lado, a argila caulinítica - de queima branca – é oriunda de uma jazida localizada na comunidade de Olho D’água. O resíduo de gesso da construção civil (RGC) será cedido por uma empresa da região metropolitana de Natal que trabalha com reciclagem. Inicialmente, os materiais de partida serão caracterizados através das seguintes técnicas: florescência de raios –x (FRX), difração de raios-x (DRX) e microscopia eletrônica de varredura (MEV). Por conseguinte, serão produzidos os corpos de prova padrão, apenas com as argilas de queima vermelha e branca, para análise das propriedades entre esses materiais sem qualquer tipo de resíduo sólido e demais que terão incorporados na massa cerâmica o resíduo de gesso. Dessa maneira, a próxima etapa do projeto é produzir os corpos de prova com 1%, 5%, 10% e 15% de RGC na massa cerâmica. Todas as amostras serão produzidas em uma prensa hidráulica com uma pressão de 21 MPa. O processo de sinterização dos corpos de prova ocorrerá em um forno do tipo mufla, sem atmosfera protetora, nas temperaturas de 800°C, 850°C, 900°C e 950°C, com patamar de 10°C/Min e isoterma de 60 minutos na temperatura máxima. Em cada temperatura de sinterização serão colocadas 10 peças de cada conjunto de corpos de prova. Portanto, ao final do processo de confecção serão produzidos um total de 320 corpos de prova. A caracterização tecnológica das amostras será realizada através dos ensaios de absorção de água (AA%), porosidade aparente (PA%), perda ao fogo (PF%), massa específica aparente (MEA – g/cm³), retração linear (RL%) e módulo de resistência à flexão (MPa). As amostras com incorporação de RGC também serão analisadas usando a técnica de microscopia eletrônica de varredura (MEV). Espera-se, ao final do projeto, obter resultados que demonstrem os efeitos da incorporação do RGC nas propriedades tecnológicas e físico-químicas dos produtos do setor da cerâmica estrutural (vermelha e branca) e, assim, apontar se é viável, técnica e industrialmente, a confecção desses produtos. As propriedades finais das peças serão apresentadas e discutidas para que exista clareza sobre a possibilidade de produção desses produtos industrialmente.
Projeto importado do Suap em 24/03/2026 às 04:46 (há 5 dias, 1 hora)