Utilização da manipueira em substituição ao cimento na fabricação de argamassa colante.
ConcluídoNo processo de beneficiamento da mandioca (Manihot esculenta Crantz) para produção de farinha, é gerado um líquido residual denominado manipueira. Devido à presença elevada de demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e ácido cianídrico (HCN), sua reação é prejudicial ao meio ambiente quando descartado de forma inadequada, podendo gerar sérios problemas ao ecossistema. Quanto a produção desse rejeito, o Brasil ocupa a quarta posição mundial. Tal fato é consequência da alta atividade agrícola relacionada à mandioca no país e, em especial, na região nordeste. Desta forma, tem-se a necessidade de reduzir os danos ambientais gerados e agregar valores tecnológico e econômico à manipueira. Diversos estudos estão sendo realizados na tentativa de destinar o resíduo a diferentes aplicações, tais como: em fertilizantes, pesticidas, biosufactantes, biogás e na produção de tijolos e de argamassa, sendo, neste último, utilizado em substituição à água de amassamento. Além disso, sabe-se que o rejeito possui características ligantes e que há um aumento do seu potencial hidrogeniônico (pH) ao longo do tempo, tornando-se um material alcalino. Este comportamento remete a uma certa afinidade com o cimento Portland em condições normais de exposição e uso. Assim, o presente trabalho tem por objetivo beneficiar a manipueira, com foco em caracterizá-la, a fim de estudar a viabilidade de seu uso como material de insumo em composições cimentícias na construção civil, em substituição parcial ao cimento, particularmente na constituição de argamassas colantes. Ressalta-se que o rejeito foi, até então, pouco estudado quando se refere às características de sua microestrutura, cujo conhecimento é essencial para entendermos as propriedades e o funcionamento do material. Portanto, serão feitas as análises dos resultados fornecidos pelos ensaios de fluorescência de raio-X (FRX), difração de raio-X (DRX), espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR) e massa específica. Os ensaios citados, realizados em laboratórios da UFRN, trazem dados a respeito da caracterização química e física da microestrutura do cimento e do pó de manipueira feito nos laboratórios do IFRN Campus São Gonçalo do Amarante. Também serão estudados, no cimento e no material pulverulento de manipueira, as respostas das análises de distribuição de tamanho de partículas e sua morfologia, assim como a sua área superficial, através dos ensaios de particulometria, microscopia eletrônica de varredura e BET, respectivamente. Para uma melhor compreensão da variação de massa do pó da manipueira em função da temperatura será analisada, adicionalmente, a análise termogravimétrica do material. Logo após, espera-se dá continuidade a metodologia aplicada, realizando o ensaio de índice de atividade pozolânica (NBR 5752) do pó de manipueira comparada a do cimento. Ao obter-se as análises acima expostas, pretende-se avaliar o efeito dos diferentes teores da manipueira em substituição ao cimento nas propriedades do rejeito na argamassa em estado fresco, bem como nas propriedades físicas e mecânicas da argamassa endurecida, contribuindo com a indústria da construção civil e com a sustentabilidade, uma vez que se propõe reduzir os danos, ao meio ambiente, do descarte da manipueira e da produção do cimento.
Projeto importado do Suap em 24/03/2026 às 04:46 (há 1 semana, 2 dias)