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Projeto de Pesquisa

Interdisciplinaridade e História Indígena em pauta: análise e problematização de discursos etnocêntricos e representações dos indígenas da ribeira do Apodi e Mossoró colonial

Concluído

Este projeto visa promover a pesquisa na temática da “Guerra dos bárbaros” no sertão da capitania do Rio Grande [1] colonial. Nesse sentido, pretende-se debater as questões do discurso das fontes coloniais quanto as representações dos índios “tapuyas”, como eram genericamente chamados os indígenas que habitavam o interior. Tais fontes constroem a imagem dos índios como “bárbaros”, gentis, selvagens, colocando estes grupos numa visão etnocêntrica. Assim, a partir do debate dessas fontes e com o diálogo historiográfico a respeito do tema, pretende-se problematizar os discursos construídos sobre os grupos indígenas que habitavam o sertão do Rio Grande no século XVII e XVIII. Nesse período foi empreendido um avanço colonizador por parte da Coroa portuguesa, a resistência indígena culminou em um embate violento. Deste período, várias fontes históricas permitem não só analisar as fases da guerra, como também discutir como a resistência indígena foi encarada pelo lado colonizador, as imagens, representações e estratégias discursivas utilizadas para desqualificar estes grupos étnicos e sua organização sociocultural, o que permite a problematização das fontes e a desconstrução de estereótipos etnocêntricos. Para isso, serão analisadas principalmente as cartas do Arquivo Histórico Ultramarino e da Biblioteca Nacional do Rio Janeiro, comunicações estabelecidas entre instâncias administrativas do Rio Grande e outras capitanias vizinhas, bem como com o reino, Portugal – a documentação já se encontra transcrita. Nessas cartas são encontradas descrições dos “tapuyas” e é possível identificar os discursos colonizadores que supostamente justificavam a guerra. A partir dessa documentação poderá ser feito o debate e análise crítica das representações dos grupos indígenas que lutaram contra a expansão colonizadora. Dessa forma, será colocado também em evidência o protagonismo indígena no período colonial.

[1] Optou-se por utilizar a denominação Rio Grande, uma vez que assim é tratada na documentação, não aparecendo, em nenhum momento, o atual nome do estado, Rio Grande do Norte. Esta denominação foi adotada somente a partir de 1760, quando foi criada a capitania do Rio Grande de São Pedro, atual estado do Rio Grande do Sul.

 

 

Projeto importado do Suap em 24/03/2026 às 04:46 (há 2 semanas, 3 dias)