O projeto de pesquisa Processos de salvaguarda de patrimônio imaterial por meio do museu virtual ‘Doces do Seridó’ objetiva ações que promovam processos de salvaguarda de patrimônios imateriais associados ao processo de produção, de comercialização e de consumo (comestibilidade e comensalidade) de doces da culinária do Seridó potiguar por meio desse que se encontra na rede de computadores. Muito embora a produção e o consumo de muitos doces ainda seja uma prática vigente nessa região, nas últimas décadas, alguns deles vêm desaparecendo de forma significativa da “mesa” dos seridoenses. O impacto dos discursos dietéticos sobre o comportamento alimentar local – que questionam o consumo de comidas doces por parte da população –, a diminuição do número de membros das famílias e a complexidade no modo de fazer alguns doces são motivos que têm contribuído para a diminuição e, em alguns casos, o desaparecimento de alguns doces. É nesse sentido que entendemos a emergência de algumas ações de salvaguarda para esse patrimônio imaterial alimentar por meio de uma ferramenta digital. Em 2016 criamos o site “Doces do Seridó”, produzimos ensaios fotográficos e textuais sobre a temática, mas diante da quantidade excessiva de material de pesquisa que dispomos, só conseguimos implantá-lo na rede de computadores em 2017. Pretendemos com o museu abrir um canal de divulgação e de promoção de ações que venham contribuir com o processo de preservação desse corpo de conhecimentos técnicos e culinários sobre a doçaria seridoense. As ações poderão acontecer tanto com o acervo já disponível no museu, resultado de pesquisas etnográficas realizadas nessa região sobre a temática desta doçaria desde 2010, como de outras que serão demandados pela comunidade. O site do museu dispõe de recursos técnicos que poderão facilitar o contato e o envio de dados informativos por parte dos interessados em divulgar saberes e fazeres sobre essa temática. Os conceitos teóricos – cultura alimentar, simbolismo, gênero, identidade, memória, patrimônio imaterial, ambiente virtual, ciberespaço, festa, economia da cultura, comestibilidade, convivialidade e comensalidade – dos campos da antropologia da alimentação e da museologia, assim como de outras ciências humanas e sociais, vem subsidiando a análise dos dados de pesquisa que vêm sendo socializados no museu e permitirão a elaboração de outros materiais visuais, audiovisuais e textuais sintonizados com uma compreensão multidimensional da doçaria que apresentamos no site.
Palavras-chave: salvaguarda, patrimônio imaterial, museu virtual, doçaria, Seridó potiguar.
Projeto importado do Suap em 10/08/2026 às 03:11 (há 5 horas, 24 minutos)