Portal Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Norte

Educação, Ciência, Cultura e Tecnologia em todo o Rio Grande do Norte

Projeto de Extensão

Curso de Vendedora Programa Mulheres Mil Campus Jucurutu

Concluído

Em seu aspecto global, a formação inicial e continuada é concebida como uma oferta educativa – específica da educação profissional e tecnológica – que favorece a qualificação, a requalificação e o desenvolvimento profissional de trabalhadores nos mais variados níveis de escolaridade e de formação. Centra-se em ações pedagógicas, de natureza teórico-prática, planejadas para atender a demandas socioeducacionais de formação e de qualificação profissional. Nesse sentido, consolida-se em iniciativas que visam formar, qualificar, requalificar e possibilitar tanto atualização quanto aperfeiçoamento profissional a cidadãos em atividade produtiva ou não. Contemple-se, ainda, no rol dessas iniciativas, trazer de volta, ao ambiente formativo, pessoas que foram excluídas dos processos educativos formais e que necessitam dessa ação educativa para dar continuidade aos estudos.

Ancorada no conceito de politecnia e na perspectiva crítico-emancipatória, a formação inicial e continuada, ao se estabelecer no entrecruzamento dos eixos sociedade, cultura, trabalho, educação e cidadania, compromete-se com a elevação da escolaridade, sintonizando formação humana e formação profissional, com vistas à aquisição de conhecimentos científicos, técnicos, tecnológicos e ético políticos, propícios ao desenvolvimento integral do sujeito.

A partir da década de noventa, com a publicação da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei Nº 9.394/96), a educação profissional passou por diversas mudanças nos seus direcionamentos filosóficos e pedagógicos, passa a ter um espaço delimitado na própria lei, configurando-se em uma modalidade da educação nacional. Mais recentemente, em 2008, as instituições federais de educação profissional, foram reestruturadas para se configurarem em uma rede nacional de instituições públicas de Educação Profissional e Tecnológica - EPT, denominando-se de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Portanto, tem sido pauta da agenda de governo como uma política pública dentro de um amplo projeto de expansão e interiorização dessas instituições educativas.

Com a finalidade de qualificar profissionais para atuar de forma autônoma é que o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte ampliou sua atuação em diferentes municípios do Estado, com a oferta de cursos em diferentes áreas profissionais, conforme as necessidades locais, bem como aderiu a diversos Programas gerenciados pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – SETEC/MEC.

Este projeto está vinculado ao Programa Mulheres Mil (PNMM), em atendimento a Portaria do Ministério da Educação (MEC) Nº. 725, de 13 de abril de 2023, cuja operacionalização dar-se-á por meio da iniciativa Bolsa-Formação, prevista no inciso IV do art. 4º da Lei Nº. 12.513, de 26 de outubro de 2011, que instituiu o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego - Pronatec, regulamentada na Portaria MEC Nº. 1.042, de 21 de dezembro de 2021, por intermédio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - SETEC.

A oferta de cursos FIC, como uma ação do Programa Mulheres Mil (PMM), utiliza-se da Metodologia do Acesso, Permanência e Êxito (MAPE), sistematizada a partir da experiência e dos conhecimentos desenvolvidos pelos Community Colleges Canadenses em suas experiências de promoção da equidade e nas ações com populações desfavorecidas naquele país. Destarte, a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, comprometida com a democratização da inclusão educacional, vem, há cerca de duas décadas, atuando na concepção, na criação e no desenvolvimento e aperfeiçoamento da referida metodologia.

O PMM deriva da relação internacional, mediatizada pelo Acordo Bilateral Brasil-Canadá, consubstanciado a partir de um processo de cooperação e de diálogo entre as instituições canadenses e brasileiras, iniciado em 2001, com o Projeto Escola Conectando Escola. A sua inspiração encontra-se relacionada ao Curso de Extensão de Camareiras, uma parceria entre o Centro Federal de Educação Profissional e Tecnológica (Cefet), atual, Instituto Federal de Educação, Ciência e Cultura do Rio Grande do Norte e os Colleges Canadenses. A partir dos resultados desse curso, os países Brasil e Canadá decidiram dar continuidade a parceira, ou seja, ao acordo, e idealizaram o Projeto-piloto denominado Mulheres Mil: Educação, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável[1], com fins de ampliar a ação para outros estados. Esse projeto-piloto, compreendeu 13 subprojetos, cujas experiências, contribuíram para a sistematização da Metodologia – Acesso, Permanência e Êxito (MAPE) e, consequentemente, a nacionalização do programa.

O Programa Mulheres Mil, se constitui política pública, mediante a Portaria Ministerial do MEC de Nº. 1.015/2011, no contexto da reconfiguração da educação profissional e tecnológica no Brasil, a partir do Decreto nº. 5.154/2004 e o do Decreto nº. 5.840, normativos que se deram nos mandatos do Presidente Luís Inácio Lula da Silva ( 2003-2011 ). Dessa forma, ele se tornou parte das ações e iniciativas no escopo da educação profissional, no âmbito do Ministério da Educação.

No tocante a Metodologia de Acesso, Permanência e Êxito (MAPE),  esta tem sido aperfeiçoada ao longo do processo de implementação do PMM. Sua fundamentação encontra-se no sistema canadense, denominado Sistema ARAP (Avaliação e Reconhecimento de Aprendizagem Prévia) que consiste, em linhas gerais, em certificar todas as aprendizagens de trabalhadores, sejam aprendizagens formais ou não formais, e proporcionar a qualificação nas áreas necessárias à complementação da qualificação.

No Brasil, as experiências das Instituições Federais e Estaduais de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, presentes nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, desenvolvidas a partir de 2011, promoveu a ampliação e a inovação da metodologia, bem como a compreensão acerca dos diferentes contextos de existência das mulheres entrelaçadas nas questões sociais, de raça, étnicas, de gênero, de sexualidade que, cotidianamente, afetam suas vidas.

Nesse sentido, a MAPE vem sendo ampliada, no sentido de instrumentalizar as instituições quanto a uma proposta formativa que considere as necessidades e demandas educacionais das mulheres, de forma que se promova a articulação entre saberes laborais dessas mulheres com os arranjos produtivos locais e a oferta da qualificação profissional adequada, com vistas a contribuir com a inserção socioprofissional das estudantes do programa.

A Metodologia de Acesso, Permanência e Êxito, a partir da reedição do PMM, mediante a Portaria Nº. 725/2023, traz em sua essência a orientação quanto a retomada dessa política educacional no território brasileiro. Nesse momento, reforça a inspiração e as reflexões do professor e pesquisador Paulo Freire acerca da Educação Popular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e incorpora os caminhos percorridos pelo PMM e reforça as propostas, ampliando-as com sugestões para a garantia do acesso, da permanência, do êxito - pedagógico e profissional-, da avaliação e do monitoramento das ações.

Pautada por princípios de uma Educação Popular e para o atendimento de mulheres jovens e adultas, a MAPE busca contemplar estratégias e instrumentos que possibilitem melhor integração das mulheres beneficiadas considerando suas realidades sociais, vivências e experiências. Nesse sentido, ressaltamos que a Educação Popular ancorada nos ideais Freirianos, fundamenta-se nos princípios de dialogicidade, igualdade, problematização e empoderamento[2]; princípios esses que, subsidiam a Metodologia do Acesso, Permanência e Êxito(MAPE) do Programa Mulheres Mil (PMM) e dialogam com a metodologia canadense ARAP. De igual forma, reafirmamos a pertinência desses princípios ao ideal político e pedagógico do IFRN.

De acordo com Guia de Metodologia de Acesso Permanência e Êxito (MAPE) (MEC/BRASL, 2023, p. 11) os princípios da dialogicidade, da problematização, da igualdade e do empoderamento são

 

princípios que orientam e devem ser incorporados a todas as etapas do programa: ao acesso (a aproximação e diálogo com os territórios e com o grupo de mulheres), à permanência (o processo educativo, que envolve tanto a Qualificação Profissional quanto às estratégias que as possibilitem frequentar a instituição e se sentirem acolhidas), e ao êxito (a conclusão do curso de forma satisfatória com a ampliação de oportunidades de inclusão socioprofissional).

 

Além disso, acrescenta-se a Interseccionalidades de gênero, raça, etnia e sexualidade, construindo uma concepção de acesso inclusivo, que reconhece e valoriza os saberes construídos no decorrer da trajetória de vida. Para a instituição que oferta o Programa Mulheres Mil, implica em oportunizar o diálogo com as diferentes realidades, estabelecendo relações entre os saberes da experiência produzidos pelas mulheres, desde seus territórios e suas condições de existência contextualizado ao conhecimento científico e tecnológico produzido pela sociedade. Para as mulheres propõe-se a ampliação da leitura de mundo, oportunizando a formação profissional para o Mundo do Trabalho.

A MAPE constitui-se de uma proposta que respeita e considera o atendimento às populações não tradicionais, bem como as diversidades que as circundam, gerenciando ferramentas administrativas e pedagógicas para o acolhimento das mulheres, com vistas à formação profissional e cidadã. Dessa forma, estimula a elevação de escolaridade, a inserção produtiva, a mobilidade no mundo do trabalho, o acompanhamento das egressas e os impactos gerados na família e na comunidade.

Com a finalidade de qualificar mulheres (profissionais) para atuar de forma autônoma é que o IFRN aderiu ao Programa Nacional Mulheres Mil, gerenciado pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – SETEC/MEC, “implementado a partir da articulação entre os sistemas de educação, assistência social e de saúde dos entes federativos” (BRASIL, 2023), por meio da oferta de cursos que serão operacionalizados por intermédio da iniciativa Bolsa-Formação.

Para acompanhar o nível de competências necessárias à manutenção da empregabilidade, as pessoas necessitam buscar conhecimentos atualizados face às exigências das áreas de trabalho profissional, seja para buscar a inserção no mundo do trabalho via primeiro emprego, por meio do empreendedorismo individual ou coletivo, associativismo, economia solidária, dentre outras possibilidades, ou mesmo, para desenvolverem novas habilidades e competências. No tocante às especificidades desta oferta, no âmbito do Estado do RN, o Curso FIC em Vendedora, presencial, surge como uma qualificação profissional fundamental, pois o setor de serviços é, notoriamente, a área de serviços que mais cresce nos últimos anos.

As Pesquisas Mensais de Comércio e Serviços divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) produzem indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural desses setores no país. Segundo as pesquisas, em setembro de 2022, o Rio Grande do Norte obteve saldo positivo de empregos em todos os setores, mas em Comércio e Serviços obtiveram os maiores saldos.

O crescimento no volume de serviços reverberou em todas as taxas de receita nominal pesquisadas no RN. Na comparação com março de 2022, o RN teve alta na receita de serviços de 14,9% e no acumulado do ano o estado ficou em 8º lugar entre os 10 estados que tiveram a maior variação positiva. A média nacional para o mesmo índice foi de 12%.

O volume de vendas potiguar fechou março de 2023 com o comércio varejista em alta de 1,5%. Em 12 meses, o comércio varejista do Rio Grande do Norte acumulou alta de 1,9%, mantendo a sequência de resultados positivos dos últimos cinco meses. Já o comércio varejista, registrou uma variação positiva de 3,6% se comparado ao mês de março de 2022, fechando o primeiro trimestre de 2023 com alta de 4,5%, acima da média nacional de 3,3%. Nos últimos 12 meses, o crescimento do comércio varejista ampliado foi de 2,2%.

Os indicadores mostram a importância que estes setores têm para o Estado e que, com o aumento dos índices no decorrer dos anos, capacitações nessas áreas são cada vez mais necessárias para o bom funcionamento das atividades desses eixos econômicos.

Assim, busca-se ofertar qualificação profissional em vendas às mulheres que estão em situação de vulnerabilidade social, com base na proposta do Programa Mulheres Mil, em consonância com a realidade social do Estado do Rio Grande do Norte. Destaca-se, portanto, a orientação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação em Direitos Humanos – Parecer CNE/CP 8/2012 aprovado em 06 de março de 2012, que destaca a responsabilidades das IES com “a formação de cidadãos éticos, comprometidos com a construção da paz, da defesa dos direitos humanos e dos valores da democracia, além da responsabilidade de gerar conhecimento mundial, visando atender aos atuais desafios dos direitos humanos, como a erradicação da pobreza, do preconceito e da discriminação”.

Nessa perspectiva, o IFRN propõe-se a oferecer o curso de formação inicial e continuada em Vendedora na modalidade presencial, por entender que estará contribuindo para a elevação da qualidade dos serviços prestados à sociedade, formando as mulheres, no eixo tecnológico “Gestão e Negócios”, através da qualificação profissional em Vendedora, participando de um processo de apropriação e de produção de conhecimentos científicos e tecnológicos, capaz de contribuir com a formação humana integral e com o desenvolvimento socioeconômico do Estado do RN articulado aos processos de democratização e justiça social.

Projeto importado do Suap em 13/03/2026 às 04:41 (há 10 horas, 34 minutos)