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Projeto de Extensão

PRA TU RN: central de capacitação e comercialização de produtos provenientes de assentamentos para o desenvolvimento econômico do RN

Concluído

O objeto consiste no desenvolvimento e implantação do PRA TU RN: CENTRAL DE CAPACITAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS PROVENIENTES DE ASSENTAMENTOS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO RN. Neste projeto articulamos o ensino, a pesquisa e a extensão levando dignidade à população dos assentamentos do estado do Rio Grande do Norte.

 OBJETIVO

Elaborar e implantar o projeto PRA TU RN que consiste em um espaço físico planejado onde os assentados de reforma agrária passam a ter treinamento, comercializar e participar da cadeia econômica voltada para o turismo do RN. 

METAS: 

  1. Conhecer as vocações de cada projeto de assentamento e termos de produção econômica cultural;

  2. Elaborar modelos de projetos de infraestrutura e produtos aplicáveis nos projetos de assentamento do RN;

  3. Elaborar projetos de engenharia e arquitetônico do local onde será instalada a central de comercialização;

  4. Planejar a rede de comercialização dos produtos de reforma agrária com a criação de um selo;

  5. Planejar a prestação de um serviço de gastronomia (restaurante); 

  6. Elaborar modelos de cursos e oficinas que possam contribuir com a formação e capacitação aos beneficiários de reforma agrária incentivando a integração do campo e a cidade.

PÚBLICO ALVO

  1. Cerca de 22 mil famílias registradas nos 286 projetos de assentamentos no estado do Rio Grande do Norte vinculadas ao INCRA-RN

  2. Atendimento da população local e de turismo no estado do Rio Grande do Norte contribuindo para o desenvolvimento econômico

 

JUSTIFICATIVA

O empreendedorismo na área rural do Brasil tem sido fator importante para um posicionamento equilibrado nos negócios internacionais do Brasil. Atualmente o agronegócio corresponde a cerca de 20% das exportações brasileiras (MDIC, 2020). Porém é importante destacar que há um hiato significativo nessas atividades desenvolvidas e as atividades das pequenas propriedades rurais de mão de obra familiar. Apesar da pouca tecnologia aplicada nessas unidades de produção e de estarem longe do padrão da agricultura 4.0, elas são responsáveis por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa do consumidor no interno nacional (CNA, 2020). 

Desse modo, percebe-se o valor estratégico que pequenas unidades rurais possuem no cenário interno e o potencial de profissionalização, mas há necessidade de políticas públicas assertivas que possam atender às demandas do homem no campo do ponto de vista de sua produção, cultura, e capacidade instalada com vistas ao desenvolvimento regional.

As  políticas públicas na área de micro finanças, à exemplo disso, tem o propósito de promover o crescimento territorial e regional fazendo com que o crédito produtivo e orientado oportunize melhores condições para as pessoas que sejam micro-empreendedoras da área urbana ou rural. Tais iniciativas corroboram para o apoio financeiro necessário para gerar renda para a manutenção familiar, bem como para o crescimento econômico de seus negócios, oportunizando condições de formalização dos negócios e/ou criação de novas empresas. 

As políticas voltadas para reforma agrária e iniciativas de associativismo e cooperativismo Melo e Scopinho (2018) destacam que:  

"Há um conjunto de medidas voltado para a agricultura familiar que permanece inacessível porque um único programa (...). O problema, portanto, pode estar no modo como tais medidas têm sido implantadas, tanto por estarem desarticuladas entre as diferentes esferas governamentais, quanto por não lograrem resolver os problemas substanciais da questão agrária brasileira."

Os autores destacam a necessidade articulação de ações sistêmicas para um processo retroalimentável de desenvolvimento de suas atividades. Nesse sentido percebe-se que ações isoladas na área produtiva, na área de crédito e/ou na comercial, podem não produzir o efeito esperado por desconsiderar aspectos sistêmicos de uma cadeia produtiva, como normalmente é priorizado em cadeias de negócios robustas.

Além das iniciativas das políticas públicas voltadas para o incentivo ao crédito produtivo relatadas, emergem no cenário nacional iniciativas alternativas como as cooperativas de crédito e dos bancos públicos e privados, que iniciam as atividades nas micro finanças. Porém, ainda são incipientes os estudos em torno das implicações geradas, com a utilização de tais recursos para a geração de trabalho, renda e desenvolvimento territorial. O modelo de desenvolvimento rural vigente no país, cujo incentivo às formas de cooperação funciona como mecanismo de descentralização da política de reforma agrária e de racionalização da política de implantação de assentamentos rurais. 

No Rio Grande do Norte as atividades agrícolas também apresentam realidades bem distintas quanto ao uso de ferramentas tecnológicas e valor agregado a sua produção. Ao mesmo tempo que há uma fruticultura com posicionamento estratégico no mercado internacional, como no caso do melão, há potencialidades em culturas como castanha de caju, abacaxi, manga, mel, dentre outros. Nessa pluralidade de culturas temos a pequena propriedade rural como protagonista.

Sob a gestão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária do Rio Grande do Norte - INCRA-RN,  atualmente, existem 286  assentamentos rurais que estão em estágios diferentes de organização e desenvolvimento local. Esses assentamentos possuem pluralidade de culturas produtivas, contextos históricos de formação e condições distintas. E é nessa perspectiva que há um espaço fertil para construção e articulação de um projeto permanente de fortalecimento de arranjos produtivos locais e estabelecimento de cadeias de suprimento de valor.  Assim, é proposto o desenvolvimento de um projeto articulado PRA TU RN. 

Considerando aspectos sociais e  econômicos, a iniciativa pode trazer efeitos diretos e aproximadamente mais de cem mil pessoas na comunidade distribuída nos 286 assentamentos no Estado do Rio Grande do Norte  (INCRA, 2020). Além disso, os efeitos diretos do fortalecimento da cadeia de valor e de arranjos produtivos (APL), isso também poderá oportunizar fluxos de negócios na área do turismo, do comércio exterior e de fortalecimento de região produtora como no caso dos selos e certificados de origem.

Do ponto de vista de lacuna teórica, empreender num projeto dessa natureza é justificado em função de resultados de pesquisa que demonstram a necessidade de articulação e gerenciamento institucional, Melo e Scopinho (2018) apontam problemas enfrentados pelo pequeno produtor em área de assentamento como a falta de infraestrutura para a produção e comercialização, o que gera sentimento de frustração e de insegurança. Nesse mesmo sentido os "atores da sociedade civil passaram a ocupar um espaço que, por um lado, lhes confere maior legitimidade e reconhecimento, mas, por outro, cria novos desafios relativos à relação mais institucionalizada com o Estado  (GRISA e SCHNEIDER, 2014)

Projeto importado do Suap em 15/03/2026 às 04:41 (há 23 horas, 15 minutos)