Em cena: oficina de jogos teatrais para alunos de escolas públicas da zona norte de Natal
ConcluídoO teatro é uma arte que está diretamente ligada à história do homem e à própria história da comunicação humana, configurando-se em uma arte híbrida que envolve literatura e encenação. Diacronicamente, percebemos sua presença desde a Antiguidade Clássica, durante os períodos de descobertas e catequeses, com os missionários jesuítas, até a atualidade. Como se pode compreender, mesmo com o advento da tecnologia, o teatro continua causando encantamento e, por isso, concretizando de maneira única o aprendizado, seja de ordem informativa ou cultural. Não obstante, observamos que, quando o professor se propõe a fazer uso dessa técnica em sala de aula, ele esbarra em alguns questionamentos que devem ser respondidos com antecedência, de modo a evitar que essa atividade se transforme, equivocadamente, em um instrumento de opressão e de inibição. De acordo com NAZARETH (2009), a arte é libertária e o teatro é, sem dúvida, das Artes, expressão libertária por excelência. A possibilidade de “re-viver” sentimentos e situações sem barreiras de tempo e espaço, de presenciar fatos de verdade ocorridos ou apenas existentes no imaginário do autor, possibilita resgate do indivíduo e da sociedade. Assim, o presente projeto de extensão propõe promover o desenvolvimento de habilidades artísticas no campo das artes cênicas (jogos teatrais), bem como a compreensão crítica dessas habilidades necessárias à encenação teatral. Para tanto, utilizamos como suporte teórico autores que têm contribuído, com suas pesquisas e experiências educacionais, na conscientização da importância de se utilizar esse mecanismo didático e alcançar, assim, resultados mais concretos na educação. São eles: Bulhões (2004), Olga Reverbel (1993), Paulo Coelho (1978), Sábato Magaldi (1976), dentre outros. Nesse sentido, o teatro assume um papel importante na vida dos estudantes, uma vez que, sendo devidamente utilizado, auxiliando no desenvolvimento da criança e do adolescente como um todo, despertando o gosto pela leitura, promovendo a socialização e, principalmente, melhorando a aprendizagem dos conteúdos propostos pela escola. Além disso, sob a perspectiva de obra de Arte, o teatro também incomoda, no sentido filosófico, porque faz repensar e querer modificar a realidade instaurada, além do seu caráter lúdico. Existem diversas perspectivas de se trabalhar teatro nas escolas, entretanto, o que se tem percebido é a banalização desta forma artística comumente ligada às datas históricas e comemorativas, sem um objetivo, de fato, pedagógico, ou seja, com uma visão restrita e simplista do teatro e da arte em geral no contexto escolar. Nossa proposição em relação às práticas teatrais no contexto escolar estão fundamentadas nos jogos teatrais, isto é, experiências que dão aos alunos/atores/jogadores condições diversas de exteriorizar, ora pelo gesto ou pela voz, ora pelas duas expressões ao mesmo tempo, seus sentimentos e suas observações pessoais. Podemos compreender essa atividade como a primeira manifestação teatral que ocorre no âmbito familiar e da escola. Pode ser uma atividade coletiva ou individual, mas sempre será livre, participa quem quiser, e não visa a uma reprodução fiel da realidade. Podemos afirmar que a principal característica do jogo teatral consiste no prazer, sendo impossível que seu desenvolvimento aconteça sem causar prazer a todos os jogadores. Para resgatar a origem da metodologia de ensino de teatro, analisada nesse texto, recorro a Koudela, em sua obra Texto e Jogo: Os jogos teatrais (theater games) foram originalmente desenvolvidos por Viola Spolin, com o fito de ensinar a linguagem artística do teatro a crianças, jovens, atores e diretores. Através do processo de jogos e da solução de problemas. Neste texto podemos entender “jogar”, ”brincar” e “representar” como atitudes muito próximas, cujas diferenças são impossíveis de serem descritas. A atuação, as habilidades, a disciplina e as convenções do teatro são aprendidas organicamente (1999, p.15). Este projeto será desenvolvido por meio de oficinas teatrais à comunidade de estudantes de escolas públicas situadas no entorno do campus Natal – Zona Norte – IFRN. Como instrumento de coleta de dados utilizaremos entrevistas semiestruturadas e observação direta das vivências teatrais desenvolvidas nas referidas oficinas. A partir dessas experiências, será elaborado um artigo científico com a análise dos dados coletados para posteriores divulgações no seio acadêmico-científico e cultural. O teatro na escola é, sobretudo, um instrumento de aprendizagem. Como se pode perceber dentro desta perspectiva dos jogos teatrais, esse tipo de técnica difere do teatro visto em outros espaços, pois não tem, obrigatoriamente, objetivo de promover espetáculo, nem tampouco formar artistas. O trabalho cênico deve consistir em fazer com que o aluno saiba resolver conflitos relacionados ao ambiente escolar e, por consequência, ao social. No entanto, permanece ainda o questionamento sobre o uso desse recurso no espaço educacional, tendo em vista a sua valorização enquanto arte, mas também enquanto didática de ensino.
Projeto importado do Suap em 24/03/2026 às 04:41 (há 1 semana)