João Câmara
Meninas de Luta: IFRN lança projeto de enfrentamento à violência contra mulheres
Iniciativa em parceria com o Ministério das Mulheres aposta na educação e na prevenção como caminhos para transformação social
Publicada por Max Praxedes em 01/04/2026 ― Atualizada em 1 de Abril de 2026 às 12:30
O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) realizou, na tarde da última terça-feira (31), no auditório do Campus João Câmara, o lançamento do projeto Meninas de Luta. Desenvolvida em parceria com o Ministério das Mulheres, a iniciativa tem como foco a prevenção da violência contra meninas e mulheres por meio de ações formativas, educativas e de promoção da autonomia, reunindo autoridades, estudantes e comunidade acadêmica.
A programação teve início com uma exposição de técnicas de defesa pessoal voltadas para mulheres. A abertura da cerimônia foi marcada por uma apresentação musical de estudantes do campus, seguida por uma esquete encenada pelo Núcleo de Arte (Nuarte). Na sequência, foi composta a mesa de honra com a presença do reitor José Arnóbio; da diretora-geral do campus, Gilmara Freire; da diretora de Proteção de Direitos do Ministério das Mulheres, Terlúcia Silva; da pró-reitora de Extensão, Samira Delgado; da representante do Governo do Estado, Júlia Arruda (Semjidh); da coordenadora do projeto, Liária Nunes; da procuradora-geral do município, Irandy Angelica; e da estudante Sara Rebeca.

Durante a cerimônia, também foi formalizada a adesão do IFRN ao Pacto Nacional “Brasil contra o Feminicídio”, coordenado pelo Ministério das Mulheres. Por meio do termo de compromisso institucional, a instituição passa a assumir diretrizes voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência de gênero, incluindo o desenvolvimento de ações educativas, políticas de acolhimento e escuta qualificada, promoção de campanhas de conscientização e articulação com órgãos públicos e movimentos sociais, além do incentivo à construção de um ambiente educacional seguro, inclusivo e livre de violências.

Prevenção, memória e protagonismo
Representando o Ministério das Mulheres, Terlúcia Silva destacou a relevância da iniciativa no contexto nacional de enfrentamento à violência de gênero e defendeu a centralidade da prevenção: “a gente não enfrenta o problema da violência apenas com a dimensão da repressão. Evidentemente que ela é importante, mas a gente precisa cada vez mais atuar na perspectiva da prevenção”, disse. A gestora também ressaltou que o país vive um cenário grave, com crescimento dos casos de feminicídio, e enfatizou que projetos como o Meninas de Luta surgem para evitar que mais mulheres tenham suas vidas interrompidas.
Ao apresentar o projeto, a coordenadora Liária Nunes evidenciou o caráter pessoal e simbólico da iniciativa, relacionando sua criação a experiências de vida: “o Meninas de Luta não surgiu apenas como um título institucional, ele carrega história, memória e afeto”, destacou. Em um momento de emoção, compartilhou a inspiração no nome do projeto: “penso na minha avó, Maria Angélica da Silva, uma mulher que enfrentou a vida com coragem. É por mulheres como ela e por tantas outras que o projeto existe”.
Representando as estudantes, a aluna Sara Rebeca ressaltou o impacto direto da iniciativa na formação das participantes e no fortalecimento da autonomia feminina: “o Meninas de Luta é muito importante para nós, porque nos ajuda a entender melhor o nosso lugar na sociedade. Aprendemos que não devemos ter medo de sair sozinhas, de dizer não e de sermos quem somos”, declarou. A estudante também destacou o caráter coletivo da experiência: “somos meninas e mulheres de luta. Vamos seguir em frente juntas, mais fortes a cada dia”.

Compromisso institucional
Em uma fala marcada pela contundência, a diretora-geral do campus, Gilmara Freire, enfatizou o caráter político e social do lançamento: “hoje não é apenas um dia de lançamento de projeto, é um dia de posicionamento. Escolhemos não naturalizar mais aquilo que deveria nos indignar todos os dias”, pontuou. A gestora também destacou a gravidade do problema: “estamos falando de vidas interrompidas, de histórias silenciadas, de violências que muitas vezes começam no silêncio e podem chegar ao extremo mais cruel”.
Já o reitor José Arnóbio reforçou o compromisso institucional do IFRN com a pauta e defendeu a ampliação da iniciativa: “que a gente possa levar esse projeto para os demais campi do Instituto e construir, junto ao Ministério das Mulheres, ações que impactem diretamente o país”. Ele também destacou a importância da atuação conjunta: “a gente precisa construir uma comunicação e um enfrentamento a esse grande mal da violência contra a mulher. Viva as mulheres, na luta sempre”, concluiu.

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