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Aulas remotas

Razão e Sensibilidade: as engrenagens que movimentam o ensino remoto

21/10/2020 - Calor humano atravessa as telas e contagia os atores

Razão e Sensibilidade: as engrenagens que movimentam o ensino remoto

Imagens cedidas

Carteiras, cadernos, livros, lousa, professores, alunos, contato. Meses atrás, esse cenário era facilmente associado à sala de aula. Com a pandemia, tudo mudou. Em vez de aglomeração, distanciamento. Afastados, mas não sozinhos. Além da escola, mas não fora dela. A nova sala de aula, virtual e inclusiva, através dos auxílios digitais oferecidos pela Instituição, trouxe aos alunos uma realidade que perpassa o tempo e o espaço. Com momentos síncronos e assíncronos, ela agora é a sala da casa, o quarto, a cozinha, o jardim.

Uma quebra de paradigma que trouxe desafios e precisou de uma adaptação coletiva. De acordo com o diretor de Ensino, Plácido Souza “O ensino remoto é um desafio para todo mundo, todos os atores que estão ligados diretamente ao ensino. Gestão, professores, alunos, equipe técnico-pedagógica, todos os servidores que compõem o campus. No entanto, para que o ensino remoto funcione efetivamente a serviço do aprendizado, eu entendo que a gente precisa convergir em alguns fatores-chave, como, por exemplo: planejamento institucional e acompanhamento do que foi planejado, além de motivação docente nesse novo desafio e, por parte do aluno, vontade de continuar aprendendo, apesar das dificuldades de ambiente de estudo e tecnológicas que eventualmente venham a existir”.

Desafios que, para serem superados, contam com o apoio e engajamento decisivo da gestão do Campus Natal-Central do IFRN.  De acordo com a professora Maria Tânia Florentino, professora de Língua Portuguesa e Literatura, a gestão tem sido fundamental: “Muito importantes foram o planejamento, o zelo e a sensibilidade da nossa gestão local em nos capacitar e também o apoio dos colegas professores. Planejamos as aulas, gravamos vídeos e compartilhamos conhecimento. Isso é condição “sine qua non” para o sucesso". Segundo o diretor do CNAT, Jonas Lemos, os resultados positivos virão também da contribuição de cada um: “Para alcançar esse objetivo, nossos colegas professores realizaram diversos treinamentos em plataformas, como o Teams e o Google sala de aula. Com a colaboração da Etep, dos Diretores Acadêmicos e técnicos administrativos, avançamos na elaboração, discussão e compartilhamento de diretrizes e estratégias de ensino. Estamos trilhando um caminho novo, com muitas inquietações, ansiedades e desafios que, certamente, exigirá, ao longo da caminhada, alguns ajustes. Mas, com a colaboração de todos envolvidos nesse processo, haveremos de alcançar bons resultados”.

Assim, na busca por bons resultados, a máquina se tornou uma aliada decisiva. Através da tecnologia, as máquinas, que já eram tão rotineiramente usadas para entretenimento dos jovens, passaram a ser instrumento de mediação escolar entre eles e os professores do IFRN. Uma realidade que exigiu dos professores uma reinvenção de si mesmo e uma quebra de paradigma na forma de ensinar. “Após mais de 25 anos de docência, sinto-me recomeçando, tendo em vista os desafios do ensino remoto. Mas esse desafio tem um lado bom: aos 56 anos, estou tendo de me reinventar, e isso movimenta a vida!”, enfatiza Elisa Pereira, docente de Língua Portuguesa.

Um movimento que trouxe renovação, mas também ansiedade com a volta às aulas, em um contexto completamente diferente. De acordo com o professor de História, Sérgio Trindade, a participação dos alunos tem sido decisiva para as aulas online: “Mesmo com mais de 30 anos de sala de aula, nas vésperas de iniciar a aula, eu estava numa ansiedade como se eu fosse estrear. Mas, com 10, 15 minutos, a coisa ganhou corpo e fluiu com uma naturalidade imensa. É muito bom, os alunos têm participado e bem. Só acrescentando que a aula presencial é melhor, no sentido do calor humano. Mas esse calor está sendo possível com a intermediação de uma máquina. Eu digo que, em algumas turmas, até melhor do que o presencial, com os alunos fazendo perguntas e trazendo sugestões”.

Muito dessa participação dos estudantes no ensino remoto deve-se também ao vasto leque de recursos metodológicos utilizados pelos professores: “Essa coisa de ficar em frente a uma câmera, em frente a uma tela, algo mais frio, tudo isso foi quebrando. Uma experiência para repensar nossos alunos. Nós tivemos que mudar muito a nossa metodologia. Sou professor de  metodologia de ensino da matemática. Fomos obrigados a fazer algo diferente, fugir da aula tradicional, sair do quadro e vir para um computador. No ensino superior, tivemos uma excelente participação dos alunos e interação com eles. Vários professores usando metodologias diferentes como power point, mesas digitalizadoras etc. Alunos participando, seja falando, ou pelo chat.  A gente gravando vídeos, quebrando vários paradigmas que temos. Fugindo, inclusive, da prova individual, sem consulta. Estamos repensando nossas metodologias”, refletiu o docente  Rafael Melo.

Mudanças que superaram até mesmo as expectativas de quem estava desanimado, devido ao longo período sem aulas, como o aluno Marcus Vinnycius Medeiros, “Eles estão se esforçando para tentar dar as aulas. Prestar atenção é um certo desafio também para o aluno. Mesmo com receio, estou tentando me adaptar". Para o aluno Pedro Eduardo Calcanti, do quarto ano do curso Técnico em Manutenção e Suporte em Informática, o sentimento geral é positivo: “Eu acho que as aulas atualmente estão sendo melhores do que eu imaginava. Estou tentando, ao máximo, prestar atenção e tirar proveito do momento síncrono. A experiência mais geral é essa”.

Experiência que fala além da aprendizagem em si, mostra que ensinar é um eterno aprendizado. E que, nesse ciclo de reconstruções e reinvenções, a razão e a sensibilidade precisam caminhar juntas para fazer a roda girar.

 

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