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MOCITEC

Redução das desigualdades é tema de evento de ciência e tecnologia

29/11/2018 - Pesquisas do Brasil e do México projetam soluções para demandas específicas

Redução das desigualdades é tema de evento de ciência e tecnologia

Da esquerda para a direita: os estudantes mexicanos Emilio, Victor e Abraham acompanhados dos professores Valdemberg Pessoa e João Teixeira, do IFRN

"Sempre muito enriquecedor." É assim que Matheus Felipe, 19, aluno do Campus Natal-Zona Norte, define a experiência de apresentar um trabalho em uma feira de ciência e tecnologia. "Em cada estande você vê uma coisa nova e consegue trocar conhecimento com outras pessoas. Em toda feira, temos esse intercâmbio cultural, essa troca de experiências. Aqui a gente tem o pessoal que veio do México, do Ceará", declara o estudante, que cursa o 3º ano do Curso Técnico Integrado de Informática para Internet. Matheus, juntamente com os colegas Yago Gabriel e Israel Santos, estão entre os finalistas da 5ª edição da Mostra de Ciência e Tecnologia da Zona Norte de Natal (MocitecZN), com o trabalho DALILA - Dispositivo de Aprendizagem, Leitura e Interpretação de Libras.

Os três alunos criaram uma plataforma de linguagem e comunicação voltada para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que busca ajudar deficientes auditivos a superarem dificuldades referentes à comunicação. Usando ferramentas como o acelerômetro e um aplicativo instalado em um dispositivo móvel, o intuito também é de promover a inclusão social e auxiliar no desenvolvimento da vida acadêmica do usuário. O grupo, orientado pelo professor Ailton Torres, conquistou o segundo lugar geral da Infomatrix Brasil 2018, em Santa Catarina, o que os credencia para participar da Infomatrix Latinoamérica, que acontecerá em 2019, em Guadalajara, no México. 

Coincidentemente, dessa mesma cidade do oeste mexicano vieram os representantes internacionais da V MocitecZN, com o trabalho 'Seguridade en dos ruedas' ()Segurança em Duas Rodas, em tradução livre. Os estudantes Abraham Mora, Emilio Silva e Victor Corona, da instituição educacional Colegio La Paz, depois de analisarem estatísticas em escala global de mortes por acidentes de trânsito envolvendo motocicletas, se dedicaram a encontrar através da ciência alguma forma de reduzir esses índices. Eles constataram que o México é o 10º país do mundo em número de acidentes de moto.

Pesquisa

O resultado da pesquisa foi a elaboração de uma jaqueta feita com um material resistente ao calor e a impactos de intensidade moderada, mas que não fosse pesada ou incômoda para o condutor. A equipe contou com a parceria da Carbon X, uma empresa norte-americana que se interessou pelo ideal do conceito e cedeu parte dos materiais utilizados. "É muito importante apresentar esse trabalho no IFRN, porque descobrimos que o Brasil é o terceiro país do mundo com mais registros de acidentes envolvendo motociclistas", ressalta Emiliano, de 18 anos. Abraham, que pretende se tornar um sociólogo, acrescentou: "Isso não é só um problema do México ou do Brasil", destacando a Europa e a Índia como outros lugares com uma frequência alta de acidentes motociclísticos.

Para Florentino De La Cruz, professor do La Paz que acompanhou os discentes na viagem ao Brasil, o grande destaque do trabalho é união dos três grandes campos do conhecimento humano a serviço de um bem maior. "Acredito que esse é o ponto central do projeto. Um projeto (de engenharia) não pode ser meramente tecnológico. Deve haver uma função social". Segundo o grupo, os processos legais para iniciar a comercialização das jaquetas no México já estão em andamento.

Assim como os mexicanos, Matheus enxerga com bons olhos a possibilidade do DALILA alçar voos que ultrapassem os muros do IFRN. "A gente pretende patentear, colocar no mercado. O DALILA é uma ideia legal porque é muito barato. Para produzirmos as duas luvas o custo é baixo, algo em torno de R$ 110. Então é um produto acessível inclusive para as escolas, porque um dos nossos objetivos é ajudar no processo de inclusão na educação", afirma.

Padrão metodológico

O diretor-geral do Campus Natal-Zona Norte, o professor Valdemberg Pessoa, lembra  como surgiu a MocitecZN e seu formato característico de mostra tecnológica e científica. "A ideia, desde o início, foi perseguir uma metodologia que é aplicada nas principais mostras de tecnologias do mundo. Então existe, de fato, um modelo de apresentação dos trabalhos, de registro do desenvolvimento desses trabalhos - que é através de um diário de bordo". Valdemberg acredita que esse é um diferencial importante, porque incentiva os estudantes pesquisadores a se desenvolverem no padrão de grandes eventos internacionais. Consequentemente, há mais chances no processo de seleção de credenciamento para outras ocasiões. "Isso naturalmente gerou uma visibilidade maior para o Campus, porque nossos alunos têm condições de apresentar um trabalho do que qualquer outro em uma mostra de ciência e tecnologia", conclui.

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