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Especial

Além da matemática: a aventura dos correspondentes do IFRN na China

05/12/2019 - Premiados no torneio mundial, estudantes falam sobre as diversas experiências culturais vivenciadas na viagem

Além da matemática: a aventura dos correspondentes do IFRN na China

Estudantes foram premiados durante Campeonato Mundial de Matemática na China

Reportagem: Luiz Gustavo Ribeiro
Fotos: Vinícius Kato/arquivo dos estudantes 

Ir para a China não é algo tão comum entre os brasileiros. A língua, a cultura e as comidas, entre tantas diferenças, foram alguns dos desafios vivenciados pelos estudantes Klaus Ramos, João Arthur Barros, Isabella Gomes e Romana Galvão,  bem como pelo professor de Matemática do Campus Natal-Central do IFRN, Dayvid Marques, durante os cerca de 10 dias de viagem no país mais populoso do mundo. 

Além de terem conquistado as premiações no Campeonato Mundial de Matemática, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de novembro, a viagem para Pequim, segundo os viajantes, proporcionou uma imensa bagagem cultural adquirida em virtude do contato com chineses e com pessoas de todo o mundo. Conhecer pontos turísticos, apreciar a arquitetura local e saborear algumas iguarias típicas também fizeram parte dessa experiência. 

Comunicação

Se dentro do torneio a língua universal era a matemática, o contato com os nativos contou com algumas dificuldades lá fora. “Comunicar-se com os chineses era muito complicado porque a equipe do hotel sequer falava inglês. Eles só falam mandarim e eu acho que lá eles vivem muito bem sem falar o inglês. No Brasil, o brasileiro, de modo geral, busca falar pelo menos o básico de inglês para viajar ou para receber os estrangeiros. Eles não, os estrangeiros que tem que se virar para aprender a língua deles”, disse Isabella.  

Uma das soluções encontradas para a comunicação foi a utilização do Google Tradutor em modo offline, já que o governo chinês não autoriza a utilização das ferramentas do Google no país. 

A celebração da diversidade

Com pessoas de todo o mundo reunidas no mesmo local, os estudantes do IFRN tiveram contato com diversas culturas e costumes. De acordo com eles, umas das principais trocas de conhecimento foi com um garoto malaio, de 15 anos, que sabia falar português muito bem. “O malaio aprendeu português pelo aplicativo Duolingo. Ele sabia inglês e falou que estava aprendendo dez línguas ao mesmo tempo, ele dizia que queria conversar com as pessoas com a língua nativa delas, que pretendia conhecê-las melhor dessa forma”, conta Isabella.

Durante a competição, o malaio proporcionou um dos momentos mais inusitados para os estudantes João e Romana experimentaram um "doce" da Malásia com um sabor nada comum. “Nessa competição eles trocam muitas coisas. O malaio estava com um saco com balinhas, tinham algumas doces e eu vi uma brilhando, prateada, quadradinha. Quando fui experimentar, senti o cheiro de carne. Mesmo assim, Romana e eu fomos comer, quando ela começou a comer, lacrimejou, porque a bala também tinha pimenta”, conta João Arthur.  

China

Gastronomia

Tradicionalmente, a China tem uma culinária bem peculiar para o paladar dos ocidentais. Durante um passeio pelos pontos turísticos da capital chinesa, a equipe se impressionou com a venda e o consumo de insetos em espetos. “Não foi fácil para mim. Por ser tudo tão diferente, terminei comendo quase nada”, contou Romana. Por outro lado, Klaus e João Arthur se aventuraram a fundo na culinária chinesa. Segundo Klaus, o “único arrependimento foi não ter comido espetinho de escorpião”. 

Outro fator que chamou a atenção dos correspondentes do IFRN foi o arroz, por incrível que pareça. Mesmo sendo um dos elementos básicos da alimentação brasileira, na China o arroz é servido de forma diferente. Por lá, os temperos como sal e alho dão lugar aos diferentes molhos. “É padrão o arroz não ter nada, tem que colocar o molho. Não se come ele puro e não sabíamos disso. Então, a gente comeu o arroz sem gosto de nada mesmo, ninguém tava gostando. Era o mesmo arroz, mas sem tempero nenhum, porque o tempero eram os molhos, como o shoyu e outros”, conta Dayvid, se se divertindo com lembrança. 

Choque cultural entre Brasil, China e Alemanha

Entre as 14 horas de viagem, os correspondentes do IFRN fizeram conexão de 18 horas na cidade de Frankfurt, na Alemanha. De acordo com eles, a maior diferença entre o país europeu e a China para o Brasil é a infraestrutura. “Na Alemanha a organização chama muita atenção. A gente andou basicamente só com a sinalização do metrô, mais nada. Isabelle e Klaus falam bem inglês, mas nem precisamos muito disso. João pegou o mapinha e não nos perdemos nenhuma vez”, conta Dayvid.

Em Pequim, o maior impacto cultural para os estudantes e para o professor foi a limpeza da cidade. “A China era mais limpa, pelo menos na parte turística, um pouco diferente da Alemanha, não sei como funciona nas outras cidades, mas em Frankfurt a limpeza não era o ponto forte.”

Outro ponto marcante abordado pelos estudantes foi a oportunidade de conhecer a Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo e uma das maiores construções do planeta. "Foi uma experiência incrível, como uma verdadeira viagem ao passado histórico da região. Tivemos a oportunidade de ir até o topo da montanha, onde o ar é rarefeito. De lá, tínhamos uma visão perfeita, digna de um quadro, disse Romana, deslumbrada.

Uma viagem inesquecível

Durante todo o relato, os estudantes e o professor se divertiram muito ao contar as lembranças da viagem, que certamente jamais será esquecida. "As palavras não são capazes de descrever essa experiência única, incrível, da qual aproveitei cada momento", disse João Arthur. De forma objetiva, Romana também não pensou muito ao descrever os momentos vividos na China, “uma experiência imensurável e um sonho realizado”, afirmou. 

A ligação ocasionada pela matemática como língua universal no torneio também foi destaque ao relembrarem os momentos. “Acho que foi um intercâmbio cultural muito forte, perceber que todas as partes do mundo reunidas lá na China em prol da matemática é uma coisa muito incrível”, disse Klaus. 

Da mesma forma, Isabella renovou as esperanças ao perceber que diversas pessoas do mundo acreditam no poder de transformação da educação. “Encontrar pessoas de diferentes partes do mundo, pessoas que não veem a matemática só como uma matéria da escola, mas como um meio de transformar vida. A gente pensava que não tinha muita gente que pensava assim, mas nessa competição pudemos ver como existem pessoas que pensam dessa forma e vemos que ainda há esperança para a educação”, conta a estudante.

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