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CAMPUS CEARÁ-MIRIM

Exposição fotográfica promove o empoderamento de mulheres negras

20/11/2017 - A exposição "A visibilidade do invisível" acontece de 22 a 24 de novembro durante Expotec.

Exposição fotográfica promove o empoderamento de mulheres negras

Alunas do Campus Ceará-Mirim.

Durante a Expotec do IFRN Ceará-Mirim, que acontece de 22 a 24 de novembro, os participantes do evento poderão prestigiar a exposição fotográfica “A visibilidade do invisível”. Com coordenação da professora Elizabete Paiva, a exposição tem o objetivo de promover o empoderamento de mulheres negras, a partir da valorização de traços como o cabelo cacheado e do processo de transição de cabelos. A exposição apresenta imagens e fotografias que remetem à cultura brasileira e negra, fazendo alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no Brasil em 20 de novembro. Para a coordenadora do projeto, é necessário que haja diálogo, reflexões e novos olhares sobre a cultura negra.

“As meninas cacheadas buscam representatividade, em suas narrativas elas deixam bastante claro que fazem parte de um povo historicamente oprimido e inferiorizado, e por isso, aprendem a se odiar de diversas formas, principalmente por meio da omissão de suas características (cabelo, cor, nariz ou boca). Os padrões de beleza são culturalmente definidos e não há espaço para os cabelos cacheados, crespos e trançados”, declarou a professora.  

Através do projeto, alunas do curso técnico integrado em Programação de Jogos Digitais relataram suas experiências, confira algumas delas:

Alessandra Teixeira: “Comecei a usar química no meu cabelo quando tinha por volta de 13 anos, pois desde muito nova já não gostava do meu cabelo natural, via que seria realmente ‘bonita’ apenas se tivesse cabelos lisos como os das mulheres da televisão e mesmo minha mãe e parentes. Naquela época o volume, os cachos, e principalmente a cor negra não se encaixavam nos padrões da sociedade, atualmente precisamos lutar para que cada dia mais a aceitação da diversidade ocorra. Aos 17 anos percebi que um simples cabelo não iria definir minha beleza e muito menos quem eu sou então resolvi entra no processo da transição para alcançar meus cachos novamente, hoje com 18 anos não me arrependo da minha escolha e incentivo a todas as meninas e meninos que lutem contra qualquer tipo de preconceito e sejam o que querem ser, pois o diferente também é belo”.

Karolina Trindade: “Comecei a alisar meu cabelo muito nova, meio que na inocência, minha mãe sempre dizia que era muito ‘volumoso’ e dava trabalho pra pentear, então a única alternativa pra ter um cabelo ‘bonito’ era alisando. Quando  alisei meu cabelo pela primeira vez me senti a Princesa da Disney né, fiquei feliz por ser igual a todas as meninas da minha classe e me encaixar aparentemente nos padrões da sociedade, mas conforme o tempo foi passando, mais precisamente aos 15 anos, percebi que eu não era ‘obrigada’ a ser igual pra me sentir bem, nessa época comecei minha transição e a me assumir como cacheada, negra e a garota linda que sou”.

Cibele Lourdes: “Eu tenho 18 anos e comecei com o alisamento aos 12 anos, na maioria das vezes era feito em casa mesmo, minha mãe passava no meu cabelo, mas nunca ficava do jeito que eu queria, sempre ficava as pontas enroladas , e eu queria um cabelo extremamente liso, sem frizz, totalmente escorrido , tinha vezes que eu chorava antes de sair de casa por causa que tinha frizz. Meu cabelo natural tem a curvatura muito parecido com o da minha mãe, é muito volumoso, e na época, quanto mais volumoso, mais feio o cabelo era.  Ao longo dos anos fui fazendo vários tipos de alisamento, até chegar como eu queria, completamente liso, e passava chapinha toda semana, para a raiz não ficar alta. No ano de 2016, ao ver nossa colega Karol passar pela transição e se aceitar com seus lindos cachinhos, eu e minha amiga Karla resolvemos tentar, para ver como ia ser, afinal a gente não lembrava nem como era nosso cabelo natural, então entramos em transição, passamos longos 9 meses com o cabelo com duas texturas, e em Janeiro de 2017 fizemos o grande corte . Com o cabelo totalmente natural, era muito estranho andar na rua, as pessoas olhavam e muitas pessoas nos criticavam, mas o amor próprio foi maior, e cada dia mais o amor cresce, além de ter me ajudado muito com a questão da timidez que eu tinha. É tão bom ver a diversidade, os tipos de cabelos, cada um com sua essência, com sua beleza”.

Elizabete Paiva, coordenadora do projeto, finalizou afirmando que a ideia da exposição pode ser resumida no pensamento de Pema Chodron, monja budista, “Quando adquirimos uma maior aceitação de nossa auto imagem iremos aceitar também os limites alheios”. 

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