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SEMANA PEDAGÓGICA

Ex-aluno compartilha experiência com inclusão em curso do IFRN

26/07/2019 - Sidney é deficiente visual e se formou em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

Ex-aluno compartilha experiência com inclusão em curso do IFRN

Da direita para a esquerda: Ticiana Coutinho, pró-reitora de Ensino do IFRN, Rejane Barros, diretora pedagógica, Sidney Soares, ex-aluno do IFRN, Amilde Fonseca, mediadora da mesa, e Alice Ferreira, da UFRN.

“A primeira coisa que a gente tem que botar na cabeça ao falar de inclusão, é que alguém com necessidades especiais é um ser humano como outro qualquer” - foi assim que Sidney Soares definiu o norte de sua fala na mesa-redonda intitulada “Desafios da educação em uma perspectiva inclusiva”, que aconteceu nesta terça-feira (23), no auditório do Campus Natal-Central do IFRN. Na ocasião, que fez parte da programação da Semana Pedagógica 2019.2, estiveram presentes Ticiana Coutinho, pró-reitora de Ensino do Instituto; Alice Maria Ferreira, da UFRN; e o ex-aluno, que hoje  trabalha na UFRN.

Sidney é deficiente visual e concluiu seu ensino médio em 1997, numa escola pública. Ele parou de estudar durante nove anos por não conseguir encontrar instituições de ensino que atendessem a suas necessidades: “a produção de material acessível era muito pequena e existiam poucas pessoas para produzi-lo. Na minha vida acadêmica antes do IFRN, nunca consegui fazer provas junto aos meus colegas de classe, porque sempre demoravam a adaptá-la”, disse.

“Todo curso que aparecia, eu fazia: operador de telemarketing, Pacote Office, cursos de idiomas no IFRN. No final da década de 1990 eu consegui entrar aqui, primeiro no curso de Inglês da Funcern, depois no curso de Espanhol”, relata. Em meados de 2005, Sidney decidiu voltar a estudar, tendo em vista os avanços tecnológicos que possibilitavam seu aprendizado. À época, sua professora de Inglês foi fundamental para a decisão: “ela sugeriu que eu fizesse o vestibular do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) para ver como estava meu nível. Fiz a prova para Tecnologia em Desenvolvimento de Sistemas (hoje, Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas - TADS) e passei dentro das vagas de escola pública”, conta. 

Desafios

Como primeiro aluno cego da Instituição, Sidney afirma ter enfrentado, a princípio, certa resistência. O ex-aluno fala que, como sabia que gostava da área tecnológica, assumiu o compromisso de tentar dar início à graduação: “expliquei minha situação e as ferramentas que eu tinha para acompanhar o curso. Se eu não havia tentado, não poderia dizer que não tenho condições de fazer”, relata. A equipe pedagógica da época decidiu, juntamente ao Instituto, buscar metodologias de ensino e aprendizagem para atender às necessidades do aluno. 

“Um professor sugeriu fazer adaptações no ensino e na prova e eu não aceitei. Eu não queria prova diferente, quero a mesma que meus colegas vão fazer. O mundo lá fora, o mercado, não tem prova diferente para nenhum tipo de deficiência”, conta. “Não existe tecnologia ou investimento em recursos se o professor não tem vontade de fazer. Tive auxílio de todos os professores. Comecei o curso em 2006 e terminei em 2010. Eles aprenderam braile e desenvolveram técnicas me mostrar como eram os conteúdos que eu não tinha acesso, por envolverem imagens, gráficos e desenhos”, afirma.

Inclusão e resultados

“Os profissionais que lidam com o público geral têm que estar preparadas para lidar com todos os tipos de pessoas. Hoje, sou servidor público federal, trabalho na UFRN, estou fazendo mestrado em Inovação Tecnológica e Educação. Eu não pago para pessoas fazerem as atividades para mim, porque o mundo me ofereceu as oportunidades para eu ser assim. A minha família me criou como criou meus irmãos. É isso que esperamos de uma Instituição e da sociedade”, conclui. 

Na UFRN, Sidney trabalha como produtor de acessibilidade, buscando a quebra de barreiras, atitudes e de paradigmas, a adaptação de material, conteúdo e de qualquer que seja a ferramenta para que o aluno possa realizar suas atividades acadêmicas.

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